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SISTEMA PENITENCIÁRIO II
Desafio agora é garantir recursos

Depois da luta para aprovar a transformação da Penitenciária Agrícola de Itamaracá (PAI) em unidade industrial, a Secretaria de Justiça do Estado inicia uma nova batalha para captar novos recursos e ampliar as concessões aos presos interessados em trabalhar. Atualmente, dos mais de 500 presos, pouco mais da metade está empregada, sendo 110 na produção agrícola. A Diretoria de Produção do Sistema Penitenciário elaborou um projeto para abrir novos 350 postos de trabalho, dos quais 175 serão empregados na nova área industrial.

A abertura de novos postos de trabalho permitirá ao Governo acabar com um problema na PAI: a falta de dinheiro para pagar aos presos que trabalham. “Todos os meses, pelo menos 40 detentos procuram a Diretoria de Produção para conseguir uma concessão remunerada e não conseguem. A rotatividade dos detentos é muito baixa e apenas dez presos deixam as vagas todos os meses quando recebem a liberdade condicional ou o direito a liberdade”, informou Maria Auxiliadora da Silva, agrônoma da PAI.

A Diretoria de Produção também está buscando novas alternativas para incrementar a produção no sistema penitenciário. Além dos cursos e atividades desenvolvidas nas hortas e oficinas mecânicas e padarias, novos projetos estão sendo elaborados. “Pretendemos fechar acordos com o Sindicato da Indústria de Vestuário para fabricar algumas peças de roupa a baixo custo na cadeia”, disse o diretor de Produção do Sistema Penitenciário, Alexandre Oliveira.

Um dos projetos que poderá ser aplicado na PAI já está em andamento na Penitenciária Barreto Campelo, também em Itamaracá. Desde o início do mês, 12 presos participam de uma parceria fechada com o Governo Federal para produzir bolas de futebol em escala comercial. Serão confeccionadas 3 mil unidades, sendo 90% destinados aos projetos assistenciais desenvolvidos pela Secretaria Nacional do Esporte e os outros 10% para as escolas do Estado. O detento Expedido Jacó da Silva, 31 anos, um dos integrantes do projeto, se prepara para ser instrutor. “Estou de saída da cadeia depois de cumprir quase 10 anos de pena e, quando estiver fora, ajudarei os presos a encontrar uma profissão”, afirmou.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira