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LIXO HOSPITALAR
Pronto-socorro autuado pela CPRH em Olinda

Serviço de Pronto Atendimento do Varadouro estava destinando os resíduos para o lixão de Aguazinha sem fazer a desinfecção ou incineração do material, conforme determina a lei

O Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Varadouro, em Olinda, foi autuado, ontem, por fiscais da Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) por não estar tratando devidamente o lixo hospitalar. A unidade está destinando os resíduos para o lixão de Aguazinha sem fazer a desinfecção ou incineração do material, como previsto em lei. Segundo a CPRH, o caso do pronto-socorro retrata a situação das 58 unidades da rede municipal de saúde, no que diz respeito à destinação e ao tratamento do lixo.

“Temos certeza de que nenhuma unidade da rede pública faz o tratamento correto desse tipo de resíduo”, afirmou o chefe da Unidade de Resíduos Sólidos e Esgoto da CPRH, Rubens Sanches, que participou da fiscalização ao estabelecimento. A questão do lixo hospitalar em Olinda vem sendo discutida desde o início do ano. Um ofício foi enviado pela CPRH à prefeitura no dia 22 de janeiro, fixando um prazo, até o dia 1º de fevereiro, para a adequação das unidades municipais à legislação.

De acordo com resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), na qual foi baseado o ofício, “todos os resíduos patogênicos de estabelecimentos de saúde têm que passar por um tratamento prévio” antes de serem despejados. São considerados resíduos patogênicos todos os materiais que têm contato direto com pacientes, como seringas, agulhas e luvas, assim como restos de intervenções cirúrgicas e exames clínicos.

O auto de constatação expedido ontem ao SPA vai ser analisado pela CPRH, que pode aplicar uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil. Segundo os fiscais, se o tratamento adequado dos dejetos não começar a ser feito, a unidade pode ser interditada. Há dois meses, a Maternidade de Olinda também foi autuada pelo mesmo problema.

Segundo a diretora da Secretaria Municipal de Saúde Aexalgina Tavares da Rocha, a prefeitura vai solicitar um prazo para adequar o sistema. “O processo de educação dos funcionários e de reorganização da rede não pode ser corrido”, declarou.

LIXÃO - Da unidade de saúde, os fiscais foram até o lixão de Aguazinha, local onde é despejado todo o lixo produzido por Olinda. No aterro, os agentes encontraram irregularidades como seringas e luvas cirúrgicas a céu aberto, assim como dejetos hospitalares guardados em sacos de lixo inapropriados.

Mais de 200 famílias vivem em volta do lixão, de onde tiram a sua sobrevivência. O contato direto com os resíduos causa problemas freqüentes, principalmente, às crianças. F.R.C., 13 anos, por exemplo, já se furou com seringas duas vezes nos últimos meses. “Fiquei com febre e muita dor de cabeça.”

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira