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GENÉTICA
Novo projeto para decifrar parasita

Pesquisadores propuseram, ao Ministério da Ciência e Tecnologia, analisar as proteínas do protozoário causador da leishmaniose visceral ou calazar

Antes mesmo de decifrar totalmente o código genético do Leishmania chagasi, protozoário que provoca o calazar, os pesquisadores pernambucanos do Programa Genoma Nordeste (ProGeNe) querem identificar e analisar o moleculoma do parasita. Bem mais complexo que o genoma, o moleculoma representa o conjunto de proteínas, lipídios e carboidratos existentes nas células, nos tecidos e nos organismos vivos.

O projeto, que ainda está sendo analisado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, deve consumir, pelo menos, US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões). O dinheiro será usado para formação de pesquisadores, compra de equipamentos e identificação da estrutura e função das biomoléculas que possam ser úteis no desenvolvimento de novos tratamentos para o controle do calazar, também conhecido como leishmaniose visceral. A doença, transmitida ao homem pela picada do mosquito flebótomo contaminado, registra 1.980 novos casos por ano no Brasil. Desse total, 92% são do Nordeste.

“Vamos iniciar o estudo até o começo de 2002 paralelamente ao seqüenciamento do DNA. A idéia é determinar a função dos genes à medida que eles estiverem sendo decodificados”, adianta José Carlos Cavalcanti, presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), um dos órgãos financiadores do ProGeNe. Segundo ele, o moleculoma trata-se do primeiro projeto nordestino da era pós-genômica. Durará um ano, podendo ser prorrogado por mais um, e será realizado nos departamentos de Genética e Antibióticos da UFPE.

“O seqüenciamento do genoma do Leishmania chagasi é apenas o primeiro passo para se compreender os mecanismos essenciais que o parasita utiliza para a sua sobrevivência no hospedeiro humano”, explica Marcel Ramirez, um dos pesquisadores responsáveis pelo Projeto Moleculoma. Sabe-se que os carboidratos e os lipídios, presentes na superfície celular do protozoário, estão envolvidos nos processos de adesão e invasão das células e reconhecimento do sistema imunológico do hospedeiro humano.

Em novembro, a Facepe e a UFPE irão promover um workshop sobre os estudos e avanços na área de genômica. O curso é destinado a estudantes e pesquisadores do Nordeste. Serão oferecidas entre 100 e 150 vagas. Mais informações no site www.posgenomica.hpg.com.br ou pelos telefones da Facepe (81) 3445.0455/7644.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira