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GENÉTICA II
Protozoário foi coletado da medula de cães infectados

Dentro dos próximos dois meses, pelo menos dez mil novas seqüências do DNA do parasita causador do calazar serão concluídas pelos pesquisadores do ProGeNe, programa que congrega nove Estados do Nordeste e realiza a pesquisa com o Leishmania chagasi. O protozoário usado para decifrar o código genético foi coletado da medula óssea de cães infectados e isolado no início deste ano pelos cientistas.

A partir do clone do Leishmania, os pesquisadores estão construindo as chamadas ‘bibliotecas’, ou seja, o conjunto de bactérias que trazem o DNA do parasita. Em torno de 12 ‘bibliotecas’ estão sendo construídas, cada uma delas com 18 mil a 20 mil novas seqüências de DNA.

“Até o fim do ano de 2002, quando o projeto for concluído, teremos seqüenciado 150 mil clones”, informa o coordenador de DNA do ProGeNe, professor da UFPE Paulo Andrade. Com o fim do trabalho, os pesquisadores chegarão a cerca de 9 mil genes seqüenciados a partir desses clones (um gene é formado por cinco e seis clones, no mínimo). O projeto do consórcio é estimado em R$ 8 milhões, com recursos dos Governos Federal e Estadual, e envolve 120 técnicos do Nordeste.

Estima-se que de 3% a 15% dos cães das áreas endêmicas estejam contaminados pelo Leishmania chagasi. O parasita também é encontrado nos tecidos da pele das raposas e dos timbus. Com o seqüenciamento do protozoário, os cientistas esperam descobrir novas drogas e vacinas tanto para humanos quanto para animais capazes de controlar a doença.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira