De acordo com a pesquisa divulgada ontem pelo IBGE, o setor de eletrodomésticos teve uma queda de 19,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado
RIO – A produção industrial do País registrou em julho redução de 1,2% sobre o mês anterior, a quinta queda consecutiva do ano nessa base de comparação. Por outro lado, houve crescimento de 0,8% na produção ante o mesmo mês do ano passado. O chefe do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, destacou que esse aumento sobre julho de 2000 surpreendeu e não é suficiente para reverter a tendência de desaceleração do setor.
A pesquisa divulgada pelo IBGE destacou também os efeitos do racionamento energético. Sales ressaltou que o racionamento veio se somar a fatores como a alta nas taxas de juros e a desaceleração da economia. Em junho, primeiro mês da redução de consumo de energia, houve a primeira queda na produção na comparação com o mesmo mês de 2000 (1,1%) desde julho do ano passado.
Em julho os efeitos foram minimizados pelo bom desempenho de alguns segmentos, mas continuaram abalando as indústrias diretamente ligadas ao consumo de energia, como metalurgia e eletrodomésticos. No caso da indústria metalúrgica, houve queda de 7,2% na produção em julho deste ano sobre o mesmo mês de 2000. A situação dos eletrodomésticos foi ainda mais grave, com queda de 19,4% em relação a julho do ano passado, com destaque para os grupos de TV, rádio e som (-24,4%).
Segundo Sales, o crescimento de 0,8% foi impulsionado por focos de crescimento importantes, concentrados em alguns produtos do segmento de não duráveis (açúcar cristal e suco de laranja, alavancados por exportações), indústria mecânica e bens de capital.
Sales ressaltou que a desaceleração é evidente em vários indicadores. São eles a queda de 1,2% na produção de julho em relação a junho; o fato de que 13 dos 20 segmentos pesquisados apresentaram queda na produção em julho (sobre mesmo mês de 2000) e ainda o dado que mostra que o nível da produção no ano até julho atingiu uma média de 2,96%, ante uma média de 6 5% atingida ao final de 2000. Sales lembrou que a desaceleração industrial teve início em março, com a elevação das taxas de juros e o agravamento da crise argentina.