BRASÍLIA – O número de cheques sem fundos (3.378.986) emitidos por pessoas físicas e jurídicas em agosto deste ano foi 50% maior do que o registrado em agosto de 2000. No acumulado de janeiro a agosto (24.490.858), superou em 40% o mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada ontem pela SCI/Equifax. A empresa informa ainda que, desde outubro, as devoluções mensais de cheques sem cobertura saltaram para três milhões e não há indícios de queda.
De acordo com a empresa, o número de títulos protestados de pessoas físicas e jurídicas disparou, desde o segundo trimestre deste ano. Em oito meses, chegou a 4.618.934, crescimento de 27% sobre o índice apurado em igual período de 2000. Só em agosto, foram 780.034, o que representou um crescimento de 73,8% sobre igual mês do ano passado. Foi o crescimento de 174,1% no protesto de títulos de pessoas físicas que puxou este índice para cima.
A SCI/Equifax atribui esse fato à dispensa de pagamento de custas para o registro de títulos, o que, segundo ela, está ocasionando uma corrida aos cartórios no Estado de São Paulo. A empresa observa, ainda, que os consumidores e empresas sentiram de forma direta a desaceleração da economia e a alta de juros.
“O crescimento da inadimplência demonstra o grau de fragilidade financeira dos agentes e a necessidade de se rever os mecanismos de crédito e financiamento da economia brasileira”, afirma o assessor econômico da SCI/Equifax, Walter Belik, em boletim distribuído pela assessoria da empresa. Segundo ele, essa situação torna mais difícil uma retomada das vendas e investimentos em um novo quadro de desenvolvimento.