![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Uma tragédia de dimensões e conseqüências ainda não calculáveis se abate sobre os Estados Unidos; sobre o mundo inteiro, dada a influência hegemônica desse país em toda a Terra. Em nenhuma das muitas guerras em que se envolveram, os americanos tinham visto seu território atingido com tamanha intensidade; a não ser que se considere americano o território do Havaí. Aliás, a tragédia de ontem lembra o ataque do Japão à base americana de Pearl Harbor, naquele arquipélago, que mudou a atitude dos EUA diante da 2ª Guerra Mundial. Os ataques suicidas a alvos nos EUA (semelhantes aos dos kamikazes) têm o repúdio de todas as nações civilizadas sobre a face da terra, até mesmo daquelas que criticam a atitude desse país quanto a seu modo de conduzir a guerra e a paz no resto do mundo. O terrorismo é algo abominável, covarde, um crime hediondo. O governo e o povo americano merecem as condolências e solidariedade de todos os povos e pessoas amantes da paz, de toda a humanidade que quer apenas viver bem e deixar que os demais também vivam decentemente. Pequenos atentados (evidentemente em comparação com os de ontem contra alvos em Nova Iorque e em Washington) já haviam ocorrido antes nos EUA, inclusive no World Trade Center. Mas se a ira de fundamentalistas e fanáticos de vários matizes não convenceu, até agora, os dirigentes americanos a mudar suas políticas em relação ao Oriente Médio, certamente que atentados como este de ontem, se tiveram, como se especula, o dedo desses grupos que há muito tumultuam a vida daquela explosiva região, em nada contribuirão no processo de paz que o mundo espera e reclama. Mesmo as nações que reconhecem erros e desvios na política externa dos Estados Unidos e esses erros são muitos, a começar pela pretensão do Tio Sam de ser uma espécie de árbitro do mundo mesmo estas, em todos os continentes, não deixaram de ficar solidárias com o governo e o povo norte-americanos diante da barbárie e da insensatez dos ataques de ontem, com um número de vítimas que ainda não se pode precisar. Aviões gigantescos em missão suicida, dirigindo-se para as torres do World Trade Center, um dos cartões-postais mais conhecidos de Nova Iorque, e explodindo contra aquela montanha de concreto e aço é uma imagem que, transmitida ao vivo para o mundo, certamente os que a viram jamais irão esquecer. De outra parte, comentaristas internacionais, dos mais importantes jornais e cadeias de televisão, confessavam seu estarrecimento diante da fragilidade da segurança interna daquela que indiscutivelmente é a maior potência do globo. Lembre-se que o próprio World Trade Center já havia sido, num passado recente, objeto de um atentado terrorista, quando explodiu ali uma violenta carga de dinamite, deixando um considerável número de vítimas. Então, nem depois disso cuidou-se mais da proteção de alguns ícones da cidade e do país. E o que dizer do segundo ato terrorista de ontem, dessa vez mirando as dependências do Pentágono pulmão e cérebro da Nação? Esses mesmos comentaristas especulavam que, sem ajuda interna, os atos terroristas de ontem não teriam sido executados com êxito: seqüestros de aviões quase cronometrados, invasão de espaço aéreo em área estratégica, cargas de explosivos provavelmente colocadas com antecedência na base das duas torres, sem o que não teria ocorrido o desmoronamento de ambas. O presidente George Bush, numa fala constrangida à Nação, prometeu que o crime de ontem não ficará impune e que, caso tenha origem numa nação estrangeira, considera essa nação sob estado de guerra com os Estados Unidos, com todas as conseqüências que daí possam advir. E todos devemos agradecer a Deus por já não vivermos os tempos da guerra fria. O líder palestino Yasser
Arafat que não consegue controlar os grupos
palestinos mais radicais solidarizou-se com o
presidente norte-americano e as vítimas da tragédia,
negando a participação palestina no episódio. O
governo israelense ofereceu ajuda e enviou tropas para
trabalhar no resgate e auxílio dos atingidos pela
catástrofe. Até o fechamento dessa edição, nenhum
grupo havia assumido publicamente o atentado. Até mesmo
Sadam Hussein, o eterno e irreconciliável inimigo dos
EUA, absteve-se de comentar o episódio, certamente por
reconhecer que aquele foi um dos momentos mais negros da
história da humanidade. E que, espera-se, não pode
ficar sem punição aos culpados. |
|