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ESTÉTICA
Celulite não combina com verão

A chegada do verão já começa a preocupar as mulheres, principalmente as não-adeptas da boa alimentação e dos exercícios regulares. A saída? Encarar um tratamento

por JÚLIA NOGUEIRA

É setembro, mês oficial de abertura do verão. É tempo de sol, calor e praia. Temporada de corpos (ainda mais) à mostra, e, como não poderia deixar de ser, de pele dourada. Parece perfeito. Não fosse por ela, que, com a proximidade da estação mais quente do ano, apavora 96% das mulheres em todo o mundo: a celulite. Vistos como os grandes vilões da beleza e vaidade femininas, os pequenos furinhos que dão à pele um aspecto de casca de laranja, podem tirar muita gente do sério.

Na maioria dos casos, a celulite começa a aparecer na puberdade, quando o corpo dá sinais de uma verdadeira revolução interna, uma ‘explosão’ hormonal. É mais comum que o problema ocorra nas mulheres, já que o hormônio feminino (estrógeno) é um dos responsáveis pelo mecanismo de formação da celulite. Além da questão hormonal e genética, alimentação e sedentarismo são as principais causas para o aparecimento do problema. Por ser causada por diversos fatores, as possibilidades de reversão são difíceis.

A celulite se apresenta em quatro estágios de evolução, e é resultado de alterações do tecido subcutâneo, a camada de gordura localizada logo abaixo da derme (ver arte).

Pode ser causada por alterações da permeabilidade dos vasos sanguíneos ou das próprias células gordurosas (adipócitos). Quando há aumento de peso, o volume dos adipócitos também aumenta. Essas células incham e comprimem os vasos sanguíneos da região.

O resultado é uma deficiência na troca de fluidos, ou simplesmente má circulação. A partir desse desequilíbrio, o tecido vai se modificando, incha e retém líquidos, originando o problema.

TRATAMENTO - A professora do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro da Sociedade de Dermatologia de Pernambuco Consuelo Arruda acredita que a mudança de comportamento é o primeiro passo para o tratamento da celulite. "Os cremes e tratamentos estéticos são condutas que podem ajudar, mas se a pessoa não fizer dieta e exercícios, não adianta nada", diz.

No mercado, existem diversas técnicas e clínicas que prometem acabar com a celulite, ou pelo menos, atenuá-la. Os tratamentos vão desde a tradicional mesoterapia (um método criado na França há quase cinqüenta anos), que aplica na derme (camada abaixo da pele) injeções de substâncias com o poder de derreter gordura (lipolíticas), até a endermoterapia (ou endermologia a vácuo), um processo criado há quatro anos que consiste no movimento de sucção a vácuo para a mobilização dos vasos e estimulação da circulação. Dentre as múltiplas ofertas e opções de tratamentos, também estão os cremes e cosméticos. As formulações estão cada vez mais modernas, buscando os melhores resultados, mas a opinião dos especialistas sobre esses produtos ainda é controversa. Substâncias como cafeína, cânfora e mentol, presentes na fórmula da maioria desses produtos podem ajudar na melhora do aspecto da pele por terem ação lipolítica (têm o poder de derreter a gordura), mas não são garantia de resolver o problema. Ainda não existem estudos ou pesquisas médicas que comprovem a eficácia desses produtos. “Além de tudo, esses cremes são muito caros e a relação custo/benefício não compensa”, diz a endocrinologista Andréa Vasconcelos.

“Já recebi várias pacientes que chegam ao meu consultório insatisfeitas com os resultados dos cremes. Gastam muito e não vêem a eficácia esperada”, completa. A médica também contesta a eficácia da mesoterapia. “As injeções preenchem um espaço na pele, que fica lisa, mas a celulite volta depois de alguns meses. Não compensa”, encerra.

A presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, a médica Clara Santos, uma das primeiras médicas do Brasil a se especializar em medicina estética alerta para o amadorismo que ainda é bastante freqüente no setor.

“Em medicina estética, existe a boa e a má prática. É preciso ter cuidado, por que tem muita gente batizando e vendendo técnicas antigas com nomes novos, americanizados, que dão a idéia de modernidade”,diz. A médica também chama a atenção para o acesso aos tratamentos. “Hoje em dia, com a tecnologia a favor do aperfeiçoamento das técnicas, os tratamentos ficaram mais baratos, não são mais um luxo”, encerra. Apesar de mais em conta, se submeter a um tratamento para celulite ainda custa caro. O preço varia de acordo com a condição física de cada paciente, mas pra começar, é preciso desembolsar pelo menos R$ 500, diz a esteticista Denize Zechin, da clínica de emagrecimento Modelle Center. Também é preciso investir na manutenção do tratamento, que deve ocorrer em média uma vez por ano, dependendo do caso. “Não é possível reduzir a celulite a zero, mas é necessário tratar, por que é um problema que só tende a se agravar”, encerra a esteticista.

Serviço

Climeso - 3465.8188 ou 3441.9700
Modelle Center - 3445.3037 ou 3466.7017
Consuelo Arruda 3465.1702 ou 3466.2275
Andrea Vasconcelos - 3423.2811 ou 3465.3909

Para saber mais:
www.emagrecendo.com.br
www.emagrecimento.com.br
www.obesity.com

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Jornal do Commercio
Recife - 09.09.2001
Domingo