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EQUIPAMENTOS SEM FIO
Sem fio, cheio de charme e caro que só

Teclados e mouses que funcionam a até três metros de distância do micro, caixas de som e headphones que podem passear pela casa sem sofrer interferência, joysticks que conferem total liberdade aos movimentos exigidos pelos jogos. Foi-se o tempo em que aparelho sem fio era sinônimo de telefone. São cada vez mais freqüentes os lançamentos de periféricos e acessórios wireless, que prometem aposentar fios, cabos e conectores em nome da praticidade e da harmonia no local de trabalho. A demanda por esse tipo de equipamento já é tanta que muitos fabricantes estimam que até o próximo ano os wireless representarão pelo menos 15% do faturamento em relação aos periféricos tradicionais. “Há uma sede de consumo absurda por esses produtos, porque as pessoas estão ficando sem paciência para fios”, acredita o gerente de marketing da Leadership, Rafael Montello. Como toda nova tecnologia, o custo ainda é proibitivo: até 15 vezes maior que o de aparelhos convencionais.

por MONA LISA DOURADO
mldourado@jc.com.br

Se o emaranhado de fios necessários para ligar qualquer coisa ao computador é suficiente para fazer você desistir da aquisição de um novo periférico, anime-se. Começa a ganhar corpo no mercado uma nova tendência, que promete devolver o entusiasmo àqueles que adoram equipar o PC com tudo o que têm direito, mas já não sabem como conviver com tantos cabos. Trata-se dos aparelhos wireless (sem fio) que, além de tornar a mesa de trabalho esteticamente mais suave e agradável, possibilitam desempenhar a distância várias tarefas relacionadas ao micro.

Os mais populares acessórios do tipo são mouses e teclados com sensor de raios infravermelhos (IR), como os comercializados pela Leadership e pela Clone. Com cinco botões, incluindo dois wheel (para rolagem da tela), o mouse infrared da Leadership funciona a até dois metros da base, proporcionando angulações de 160 graus e resolução de 520 dpi.

Já o teclado sem fio da Clone, que funciona a até cinco metros, tem como diferencial as teclas programáveis, de fácil acesso à Web e de controle multimídia, que conferem uma versatilidade ainda maior ao aparelho. Através dos botões, é possível definir a velocidade de digitação, travar o teclado, acionar o CD player, voltar e avançar páginas de Internet e abrir caixa postal, entre outras funções.

É verdade que, em comparação com periféricos tradicionais, o preço dos wireless – de R$ 67 e R$ 130, respectivamente – ainda causam certo espanto, mas, segundo o usuário Ubirajara José, a comodidade proporcionada por eles compensa o custo. “O mouse com fio engancha e faz peso, dificultando o movimento da mão. O wireless pode ser colocado em qualquer posição. Posso até guardá-lo dentro da gaveta para protegê-lo da poeira ou impedir que alguém acesse o computador”, observa.

MAIS BARATOS – Para Luiz Carlos Moraes Rego, diretor do congresso TelexpoWireless, fórum internacional sobre infra-estrutura de redes móveis, à medida que os acessórios sem fio caírem no gosto do público, seus valores irão baixar, impulsionando o surgimento de novos produtos. “No futuro, todo eletrodoméstico vai incorporar tecnologia wireless para receber sinais remotos e se interligar. Começa de coisas simples, mas úteis, e vai avançando para aplicações mais complexas”, prevê.

Apostando na formação dessa demanda, os fabricantes já investem em novas linhas de aparelhos tecnologicamente mais eficientes, como os que operam por radiofrequência (RF). Enquanto a tecnologia de infravermelho exige que se aponte o dispositivo para a base receptora até certo ângulo livre de obstáculos, a radiofrequência supera qualquer barreira, possibilitando maior distanciamento do periférico.

O kit Twintouch Wireless, da Genius, é o caso típico da famosa união entre o útil e o agradável, em nome da praticidade. Reúne teclado e mouse ligados a um único receptor de radiofrequência, que funciona em raio de até três metros. Assim como ajuda a economizar espaço, implica em redução de custo – juntos, os dois aparelhos saem por R$ 249.

Outra novidade é o mouse Cordless Wheel Track Man, da Logitech, que dispensa a esfera deslizante, movendo-se através de sensor óptico. A integração das duas tecnologias resulta no alto preço: R$ 298.

Mas é a Leadership que apresenta a linha mais diversificada. Os queridinhos entre os lançamentos são a caixa de som e o headphone sem fio RF, que podem ser conectados tanto ao PC quanto à TV e a CD e DVD players. Atuando com potência de 400 watts e freqüência de 863 MHz, permitem ao usuário ouvir música num raio de até 30 metros sem ter de esticar rolos de fios pela casa ou escritório. À venda a partir de outubro, custarão R$ 386 e R$ 219.

Ainda na área de entretenimento, o novo Joypad RF, equipado com oito botões de ação, promete maior liberdade aos gamemaníacos para pilotar naves estelares ou enfrentar inimigos com rapidez e precisão. Disponível a partir da próxima semana, tem preço sugerido de R$ 184.

Quem já conta com periféricos tradicionais e não está disposto a trocá-los pelos modelos wireless, pode encontrar uma saída nos adaptadores e conversores IR, que capacitam o micro, o notebook ou a impressora a se comunicar com outros aparelhos baseados em infravermelho, como PDAs e celulares, sem a necessidade de cabos de conexão. Custam entre R$ 275 e R$ 376.

CORPORATIVO – Para o mercado corporativo, a Globlink traz o Freeboard1 e o Freemouse1, teclado e mouse multicanais com até 16 códigos de identificação que se destinam a evitar a interferência de um aparelho sobre o outro, caso existam vários equipamentos sem fio dividindo o mesmo espaço. Com design plug-and-play de fácil instalação, os acessórios saem por R$ 180 e R$ 130, respectivamente.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira