Debate no Recife, na semana passada, esquentou a disputa entre Sun e Microsoft e suas soluções de aplicações Web
por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br
De um lado, uma comunidade de desenvolvedores respaldados por várias empresas e, do outro, uma das maiores corporações do mundo. Isso lembra alguma coisa? Se você pensou na disputa entre o Linux e o Windows, errou. Agora, a briga chegou ao mercado de aplicações Web. Isso porque a Microsoft decidiu enfrentar gigantes como Sun, IBM e Oracle lançando um concorrente para o Java, ou Java 2 Enterprise Edition, padrão de desenvolvimento adotado por 96% dos desenvolvedores de aplicações para a Internet. Trata-se do .NET.
A vantagem dessa plataforma em relação à concorrente? “Assim como o Java é a evolução do C++, o .NET é o Java melhorado”, afirma Pedro Manfredi, que representou a Microsoft durante uma palestra realizada, na semana passada, pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) e o Porto Digital, para discutir qual será a plataforma Web mais usada no futuro. “Resolvemos os problemas e as falhas do Java para chegar à nova plataforma.”
O resultado, segundo ele, é um produto mais robusto e com suporte a várias plataformas. “Usuários da nova .NET podem desenvolver para Cobol, Java ou qualquer outro padrão. Afinal, não temos a ilusão de que o mundo inteiro vá usar exclusivamente soluções Microsoft”, afirma Pedro. O problema é que a compatibilidade da nova plataforma da Microsoft é relativa. Afinal, é a empresa quem definirá que soluções considera estratégicas para o padrão criado por ela.
“O Java traz um conjunto de standards abertos, criados por várias empresas, para facilitar o desenvolvimento e a implantação de aplicações Web, independentemente de sistema operacional e hardware utilizados”, afirma Fernando Zuliani, representante da IBM, que também participou da palestra. “Já a solução da Microsoft forma um conjunto único e proprietário. Ou seja, o usuário fica preso a apenas um fornecedor.”
Pedro Manfredi garante que não será bem assim. “Aceitamos colaborações de toda e qualquer empresa.” Mas completa: “desde que seja realmente interessante para a plataforma”. E Manfredi vai mais longe. “Com o Java a coisa funciona da mesma maneira. Várias empresas desenvolvem para a plataforma, mas quem dá a palavra final sobre o que vai ou não ser incluso é a Sun”, ataca.
Nessa interminável briga, só uma coisa fica bem clara: quem sai ganhando é o usuário, que agora dispõe de mais uma opção de padrão de desenvolvimento para Web. E não há nada melhor que concorrência para garantir produtos de qualidade – e preço mais baixo!