AMÃ – Um interlocutor anônimo reivindicou, ontem, em nome do Exército Vermelho – uma organização extremista japonesa – a série de atentados que atingiu os Estados Unidos “para vingar os mortos de Hiroshima e Nagasaki”, em uma ligação a uma revista jordaniana. “O interlocutor anônimo, falava em árabe, como umestrangeiro”, declarou o redator-chefe da revista nacionalista Al Wahdeh.
As cerimônias pelo 56ª aniversário dos bombardeios de Hiroshima (oeste do Japão) e Nagasaki (leste) foram realizadas nos dias 6 e 9 de agosto, respectivamente. “Não deu mais explicações e desligou rapidamente”, declarou Fajri Kawar, um ex-deputado de tendência nacionalista e ex-presidente da Federação de Escritores jordanianos. “Levamos esta reivindicação a sério”, afirmou Kawar.
O Exército Vermelho japonês foi fundado em 1969 com a fusão de dois grupos radicais de esquerda. Estabeleceu vínculos com organizações extremistas no Oriente Médio, sobretudo com a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). Foi responsável por vários desvios de aviões e ataques contra embaixadas ocidentais.
A operação mais espetacular realizada no Oriente Médio ocorreu em 1972, quando um ataque com armas automáticas contra o aeroporto de Lod, em Tel Aviv, causou a morte de 24 pessoas e deixou 76 feridos. Seu autor, Okozo Okamoto, que atualmente tem 52 anos, mora no Líbano como refugiado político e é considerado um héroi da luta contra Israel.
Quatro membros do Exército Vermelho estabelecidos no vale Bekaa libanês foram expulsos pelo Líbano para o Japão, em março de 2000. A polícia japonesa continua procurando seis membros da organização e, no dia 8 de novembro de 2000, prendeu em Osaka aquela que é considerada a chefe do grupo, Fusako Shigenobu, 55 anos.