Países temem que uma resposta desmedida de George Bush acabe acirrando ainda mais a elevada tensão internacional
LONDRES – Qual será a reação dos Estados Unidos aos ataques de ontem? A preocupação sobre como o presidente George W. Bush responderá ao pior atentado terrorista da história, que para muitos norte-americanos colocou o país em estado de guerra e justificaria uma retaliação generalizada a alvos terroristas suspeitos, espalhados pelo mundo, está no topo da lista de discussões entre os líderes europeus e deverá ser amplamente debatida, hoje, em Bruxelas, durante a reunião de emergência da OTAN.
Segundo informações de seus assessores, o primeiro-ministro britânico Tony Blair dedicou boa parte da noite de ontem mantendo contatos telefônicos com o principais líderes europeus, como o presidente francês Jacques Chirac, o presidente russo Vladimir Putin e o chanceler alemão Gerard Schroeder. Blair teria discutido planos para as potências européias atuarem conjuntamente em apoio aos Estados Unidos e reforçarem as medidas de segurança no continente.
Segundo analistas políticos, no entanto, os intensos contatos entre Blair e outros líderes europeus refletem o crescente receio de que os Estados Unidos, ainda chocados e humilhados com a constatação de sua vulnerabilidade diante do terrorismo internacional, iniciem uma retaliação de escala gigantesca contra os principais suspeitos pela autoria dos ataques. O temor é de que uma resposta desmedida de Bush acabe acirrando ainda mais a elevada tensão internacional, principalmente, no Oriente Médio, provocando um acirramento sem precedentes de radicalismos. Por isso, muitos analistas acreditam que Blair, ao dizer, ontem, que não se tratava de uma batalha apenas entre o terrorismo e os Estados Unidos, mas sim entre o terror e o todo o mundo democrático, procurou iniciar uma coordenação imediata das principais potências mundiais para oferecer uma resposta dura, mas controlada, aos ataques.
Outros analistas, no entanto, têm uma leitura oposta à posição do primeiro-ministro britânico. Segundo eles, Blair, ao afirmar a necessidade de se erradicar o terrorismo de massa, ‘esse demônio do mundo’, deu um sinal claro que a resposta norte-ame ricana, embora duríssima, será justificável, e estaria preparando o terreno juntos aos seus colegas europeus para o que está por vir.
Os chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovaram por aclamação e com urgência a Carta Democrática Interamericana a pedido do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que teve de abandonar a sessão em razão da terrível onda de atentados em seu país.
Os chanceleres e representantes dos 34 países da OEA manifestaram seu apoio à aprovação da Carta como uma demonstração de solidariedade para com os EUA e de rejeição aos graves atentados terroristas que abalaram o país e a comunidade internacional.