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TERROR NOS EUA XXII Braço longo do terror por Fernando Menezes A população dos Estados Unidos nunca havia sido atingida diretamente. O país participou no século passado das duas guerras mundiais, da guerra da Coréia e do atoleiro sangrento do Vietnã, sua primeira grande derrota. Com o fim da 2ª Guerra mundial (1945), emergiu como a nação mais poderosa da terra. Todos os demais países envolvidos naquele conflito se tornaram seus credores. Ostentando a liderança do chamado bloco ocidental, os norte-americanos protagonizaram a guerra fria com a União Soviética, tempos de angústia, quando a sobrevivência do mundo esteve por um fio, à mercê do holocausto nuclear. Mas os Estados Unidos sempre lutaram fora de suas fronteiras, sua população jamais havia sido golpeda dentro de casa, o terror sempre foi uma notícia distante, até que no meado da década de 90, o longo braço do terror alcançou a principal cidade norte-americana, justamente em Manhattan, exatamente no World Trade Center. PRIMEIRO PESADELO Na manhã de 26 de fevereiro de 1993 uma poderosa bomba colocada no subterrâneo de uma das torres gêmeas, ontem destruídas, explodiu: seis mortos e mil feridos. A nação ficou em estado de choque. Um ataque em Nova Iorque era ousadia demais. Quase um ano depois o FBI desvendou o caso, um grupo de islamitas foi preso, e seus membros condenados (maio de 1994) a 240 anos de prisão. O mentor da rede terrorista foi identificado como o shake Omar Abdel Rahman. Cinco anos antes (1998) o extremismo religioso no Irã, Iraque e Afeganistão elegia os Estados Unidos como inimigo inconciliável. O bilionário e fanático shake saudita Osama Bin Ladin pregava abertamente o uso do terror como punição aos Estados Unidos, por sua aliança com Israel e por suas ações satânicas. Então, dois atos quase simultâneos destruíram as embaixadas norte-americanas em Dar Es Salam, na Tanzânia e em Nairóbi, no Quênia. Entre funcionários e militares mais de 200 mortos. O Governo dos Estados Unidos apontou Ladin como seu maior e mais perigoso inimigo. Até hoje o Governo oferece uma recompensa de US$ 5 milhões a quem der informações do paradeiro de Ladin. Acredita-se que esteja escondido no Afeganistão, mas não necessariamente em Cabul. PESADELO EM MANHATTAN Ontem, no começo de uma manhã que parecia tranqüila, só um delirante roteirista de filmes de ficção teria concebido aquele horror: dois aviões com intervalo de 18 minutos colidiram com as torres gêmeas do World Trade Center. Menos de duas horas depois, as duas torres desabaram. Em Washington, o Pentágono foi parcialmente destruído, não se sabe ao certo se por um avião suicida, como no caso das torres ou se por um ataque de carro bomba. Uma bomba explodiu nas proximidades do Capitólio, outra explosão abalou o Departamento de Estado. E, finalmente, outro avião caiu em Pittsburgh, na Pensilvânia, ainda sem maiores esclarecimentos,não se sabe se foi abatido por caças da Usaf ou se errou seu alvo. Todos os aviões envolvidos transportavam passageiros, tinham sido seqüestrados numa operação sincronizada. O caos se estabeleceu em Nova Iorque e nos centros de poder. Algo semelhante a ficção de Tom Clancy, no seu recente romance Ordens do Executivo, que conta o ataque de um avião de passageiros 747 pilotado por um terrorista japonês que se precipita sobre o Capitólio e mata todo o governo dos Estados Unidos. O drama é o de refazer a liderança do país e reordenar a vida nacional O day after é o mais dramático. A opinião pública exige uma resposta, mas responder a quem? No entanto, não cabem dúvidas. As ações foram rigorosamente planejadas, os alvos, todos eles, são emblemáticos: as torres gêmeas do World Trade Center um dos símbolos do poder econômico , onde aliás estava a bolsa de diamantes, um dos mais rentáveis negócios da comunidade judaica; o Pentágono, centro do poder militar, o Capitólio, centro político, e, finalmente, o Departamento de Estado, centro de elaboração da política externa. Uma ação assim coordenada e eficaz exige planejamento e meios certamente de alto custo. Por isso, novamente, enfoca-se o nome do inimigo número 1, Osama Bin Ladin. Certamente, é cedo para afirmar a responsabilidade de Ladin, mas parece sintomático que um ataque de mísseis tenha abalado Cabul, capital do Afeganistão, ontem mesmo. Teria sido o começo da retaliação? Um detalhe sensível dessa enorme tragédia parece prosaico e talvez seja, mas enche a boca de um gosto amargo. Hoje, quando um novaiorquino olhar na direção sul de Manhattan e lhe faltar a visão imponente do símbolo de riqueza e poder econômico, as torres gêmeas do World Trade Center, vai encontrar um vazio absurdo. E como dói. |
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