Atentados terroristas empurram ladeira abaixo os mercados financeiros de todo o mundo, enquanto o barril do petróleo ficou US$ 3 mais caro
BRASÍLIA – O ataque terrorista aos Estados Unidos derrubou os mercados europeus e latino-americanos (Ver quadro abaixo), que atingiram o nível mais baixo desde 1998. As Bolsas dos EUA, Nova Iorque e Nasdaq, nem abriram ontem e permanecem fechadas hoje. As maiores quedas na Europa foram registradas nas ações de seguradoras e companhias aéreas. Os mercados asiáticos já haviam fechado quando os atentados ocorreram. Os preços do petróleo dispararam, ganhando US$ 3 em uma hora, ou seja, US$ 30,10 por barril do Brent do Mar do Norte.
As bolsas européias já estavam perto do fim do pregão quando as notícias da tragédia começaram a chegar. Mesmo a poucos minutos para o fim dos negócios, as ações de todos os setores – menos do de energia – caíram muito.
Os principais índices caíram mais de 6%. O FTSE Eurotop 300, que reúne as ações das maiores empresas do continente, caiu 6,3%, e o DJ Stoxx 50, um indicador semelhante, recuou 6,4%. Ambos atingiram seus níveis mais baixos nos últimos 34 meses.
“Nunca estive em uma guerra antes, mas isso é guerra. É guerra contra o capitalismo”, disse um operador da Bolsa de Londres. “Com os mercados de futuros fechados nos EUA, não há nenhuma indicação de como o mercado abrirá. Mas é mais provável que a queda venha em dois dígitos do que em apenas um”, completou.
A Bolsa de Londres fechou no nível mais baixo desde o crash de 1987, caindo 5,72%. Na Alemanha, a Deutsche Börse foi evacuada 45 minutos antes do final do pregão por causa de uma ameaça de bomba. O índice DAX terminou em queda de 8,49%. Segundo operadores ingleses, os volumes negociados e o barulho do pregão atingiam níveis malucos à medida que as notícias dos EUA chegavam.
Com a expectativa de elevado número de mortes, que podem ser milhares, as ações de companhias de seguros fecharam em queda livre. Só no World Trade Center trabalhavam mais de 50 mil pessoas. A queda foi de 11,4% e, segundo Robert Hartwig, economista-chefe do Instituto para Informação de Seguros dos EUA, as indenizações deverão atingir a casa dos bilhões de dólares. As companhias aéreas também caíram fortemente. A inglesa British Airways recuou 21%, a alemã Lufthansa caiu 14,1% e a Air France, 16,2%. Investidores venderam os papéis, pois esperam que a repercussão dos atentados diminua muito o volume de passageiros.
PETRÓLEO – Único setor em alta, o de energia fechou com ganho médio de 1,9%, puxado pelas ações da BP, que subiram 4,9%. “As ações de empresas de petróleo estão nas alturas pois as pessoas estão preocupadas com possíveis faltas de combustível”, disse um operador da Bolsa francesa. O barril do petróleo disparou, subindo mais de US$ 3. “Se esse é o início de uma campanha terrorista contra os EUA, isso pode ter um impacto forte no preço do petróleo”, disse Andrew Milligan, chefe de estratégia global da Standard Life em Edimburgo (Escócia).