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TERROR NOS EUA XXVIII
Horas de angústia no Recife

A manhã de ontem foi de muita angústia para a empresária pernambucana Carla Castro, 27 anos, ex-mulher do corretor de investimentos Raul Costa, vice-presidente da Garban Intercapital, empresa do mercado financeiro internacional com escritório no World Trade Center, em Nova Iorque. Só por volta do meio-dia, Raul Costa telefonou para a mãe e tranqüilizou toda a família. “Ele ligou para a minha ex-sogra, que entrou em contato comigo em seguida. Fiquei com muito medo que nosso filhinho de dois meses ficasse sem pai”, desabafou a empresária. O corretor conseguiu ligar para a ex-mulher às 15h e contou detalhes dos momentos de terror que viveu para escapar do prédio antes que ele desabasse.

Raul Costa afirmou que estava trabalhando no escritório localizado no 25º andar da primeira torre atingida por um avião, quando sentiu a estrutura do prédio estremecer. Segundo o corretor, o alarme de incêndio foi ativado e as pessoas imediatamente se dirigiram para as escadas. Havia muita fumaça. O momento mais crítico ocorreu quando as pessoas chegaram ao 16º andar do edifício. As escadas foram bloqueadas pelos bombeiros e o pânico foi geral.

“Ele disse que pessoas se desesperaram nessa hora, alguns quebraram os vidros do prédio e se atiraram. Ninguém sabia o motivo do bloqueio e estavam todos aterrorizados. Raul achou que fosse morrer, mas a descida foi liberada e eles chegaram à rua. Desesperado, ele correu em direção à casa onde mora, distante 30 quadras das torres. O pior foi a falta de notícias dos amigos, porque Raul se transferiu do 84º andar há poucos meses, exatamente um dos pisos que foram atingidos em cheio pelo avião”, relatou Carla.

A empresária morou por quatro anos em Nova Iorque. Carla Castro contou que, depois do primeiro atentado contra o World Trade Center, ocorrido em 93, quando havia qualquer ameaça de bomba, os moradores de Manhattan voltavam os olhos para as torres gêmeas. “As duas torres do World Trade Center podem ser vistas de todos os pontos de Manhattan. Lembro que, uma vez, estava na loja onde trabalhava, distante algumas quadras do prédio, quando uma tubulação de gás explodiu. Imediatamente olhei para lá, achando que era outro atentado”, recordou.

Carla Castro estava grávida quando se separou do marido Raul Costa, no fim do ano passado. Ela voltou ao Brasil em fevereiro para dar à luz e já estava de passagem marcada para levar o filho João Pedro para ver o pai. “Depois disso tudo, não vou viajar para lá tão cedo”, concluiu.

A publicitária Renata Castro também viveu momentos de tensão. Sua cunhada, Joana Castro e Silva, há três meses mora em Nova Iorque. Ela faz estágio num banco alemão, localizado no 4º andar do World Trade Center. “Quando tudo aconteceu, estava conversando com uma amiga pela Internet. Ela também mora em Nova Iorque. Pedi que ela ligasse para Joana, pois o celular dela não estava funcionando”, contou.

O drama dos familiares só terminou depois que Joana conseguiu telefonar para casa. “Ela disse que estava bem. Contou que chegava ao trabalho quando houve o atentado. Na hora da explosão, ela correu em direção a um prédio empresarial que fica ao lado do World Trade Center”, completou.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira