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TERROR NOS EUA III
Torres gêmeas eram um marco na ilha de Manhattan
Primeiro alvo dos ataques terroristas, o World Trade Center era considerado um dos marcos do distrito financeiro da ilha de Manhattan. Com 110 andares e 1.200 firmas, hotel, shopping center e estação de metrô, os prédios abrigavam 50 mil trabalhadores e recebiam por dia cerca de 80 mil visitantes. Além da vista panorâmica – do 107º andar, num dia claro, o alcance visual era de até 85 quilômetros de distância – as torres do WTC colecionavam outros recordes. A viagem de elevador, do térreo ao 107º, uma distância aproximada de um quarto de milha, era feita em 58 segundos. A altura dos prédios também inspirou alpinistas e acrobatas, que se equilibraram entre as duas torres num fio de aço, como o francês Philippe Petit, em 1974; ou George Willig, que levou três horas e meia para escalar uma delas.
Apesar da grandiosidade, as gêmeas não tinham a admiração geral dos moradores, que apontavam, como defeitos, o tamanho desproporcional e a linha arquitetônica diferente das demais construções da região. Além do visual, o próprio projeto da obra provocava impacto. Sem colunas internas, todo o peso do edifício era sustentado pelas paredes externas. As janelas, de tamanho mínimo, não abriam porque as paredes exteriores eram na realidade uma sucessão de barras de alumínio. Ao ficar pronto, em 1972, o custo total da obra era superior a US$ 1 bilhão. A quantidade de terra removida na construção foi usada para um aterro de 92 acres, que é o Battery Park, no sul da ilha, início da avenida Broadway.
Apesar de sólida, a construção jamais poderia resistir a um ataque como o de ontem, nem aos incêndios desencadeados, dizem especialistas. “Nenhum edifício construído hoje resistiria”, garante Masoud Sanayei, engenheiro civil e professor da Universidade de Tufts.
Especialistas na construção de arranha-céus disseram que os vídeos dos desabamentos os levam a crer que as torres talvez tenham sido debilitadas pelo impacto inicial dos aviões e sucumbiram devido ao intenso calor do incêndio. Hyman Brown, professor da faculdade de engenharia civil da Universidade de Colorado, especula que as chamas, alimentadas pelos milhares de litros do combustível dos aviões, derreteram os suportes de aço. “Este edifício poderia ter resistido ao impacto de um avião”, disse. Mas o aço derrete. E os 90 mil litros de combustível do avião alimentaram as chamas. Não existe nada projetado para resistir ao fogo.”
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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001 Quarta-feira
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