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TERROR NOS EUA XXXI
Para novaiorquino, momento exige lucidez

O professor novaiorquino Marc Jay Hoffnagel, do mestrado de História da Universidade Federal de Pernambuco, chegou anteontem dos Estados Unidos e está perplexo. Não apenas com a violência e amplitude dos ataques terroristas, mas com o nível de organização dos responsáveis pelos atentados. O professor está apreensivo porque é inevitável a forte pressão da opinião pública sobre o Governo norte-americano. E explica: “A mídia vai esmiuçar os atentados à exaustão. Isso certamente se acrescenta à tendência do caráter americano, que sempre exigiu uma resposta quando agredido. Mas o problema é a quem responder. Tudo está ainda muito confuso, o momento exige lucidez dos líderes para não retaliar a esmo, e ao mesmo tempo, não se render ao terrorismo”.

Há quem associe os atentados a uma ação contra a comunidade judaica de Nova Iorque, pelo apoio financeiro a Israel. O professor Hoffnagel não se arrisca a fazer uma interpretação imediata: “ Não me parece adequado dizer que se trata de um ataque contra os judeus. Na verdade, sabe-se muito pouco, nem mesmo se contabilizou ainda o número de mortos. No entanto, o que parece claro é que se trata de uma ação contra a política externa dos Estados Unidos. O agravamento do conflito com os palestinos, à primeira vista, é a motivação mais lógica. Mas, insisto, a cautela é indispensável, precisamos de atitudes de estadistas, a emoção e a revolta são naturais, mas não podem presidir qualquer decisão”.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira