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RUMO A 2002 II
Governistas têm controle total do partido

BRASÍLIA – A ala governista do PMDB excluiu os dissidentes da composição da Executiva Nacional e assumiu ontem o controle absoluto do partido. Os governistas vão manter o discurso oficial de defesa da candidatura própria da sigla a presidente da República, mas tentarão um acordo com o PSDB no primeiro semestre do próximo ano. O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), deu o tom da nova fase do partido: “Agora, quem fala pelo partido é o seu presidente”.

A ala governista massacrou os dissidentes na reunião do Diretório Nacional realizada ontem, no Espaço Cultural da Câmara dos Deputados. Logo no início, o presidente da reunião, ex-ministro Aluísio Alves, avisou que a Executiva Nacional seria composta integralmente pelos membros da chapa que venceu a Convenção Nacional.

A decisão estava respaldada pelo artigo 33 dos estatutos do partido. O deputado Euler Morais (GO), mesmo reconhecendo que a decisão era regimental, propôs a formação de uma chapa mista, respeitando a proporcionalidade do resultado da convenção, com 63% de governistas e 37% de dissidentes.

Morais apelou para o “espírito de unidade, pacificação, entendimento e boa vontade”, mas a sua proposta não foi sequer votada. Deputados governistas lembraram que, em São Paulo e em Minas Gerais, os vencedores das convenções estaduais não respeitaram a proporcionalidade dos votos na formação das executivas.

O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), deu a última palavra, encerrando a discussão: “Não podemos confundir unidade com unanimidade”.

Pela manhã, Temer havia telefonado para o candidato derrotado na convenção, senador Maguito Vilela (GO), para oferecer o cargo de 3º vice-presidente. “Em homenagem a sua candidatura, quero que você indique um nome para a executiva. Você é candidato do partido ao governo de Goiás”, afirmou Temer. Maguito não fez a indicação.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira