BRASÍLIA – A comissão de investigação do Conselho de Ética do Senado pediu a abertura de processo contra o presidente licenciado da Casa, Jáder Barbalho (PMDB-PA). Seis aplicações financeiras, negadas pelo senador em depoimento no dia 29 de agosto passado, foram confirmadas pelo Banco Itaú, e serviram como principal prova da comissão para incriminar Jáder.
O relatório será levado hoje aos demais membros do Conselho, mas só deverá ser votado nos próximos dias. O documento foi concluído ontem pela manhã, quando os senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Jéfferson Péres (PDT-AM) o apresentaram ao terceiro integrante do grupo, João Alberto (PMDB-MA). O senador maranhense pediu 24 horas para analisá-lo e poderá apresentar voto em separado. Caso isso aconteça, seriam submetidos dois pareceres diferentes ao Conselho de Ética, um incriminando Jáder e outro, em versão mais leve, sugerindo novas investigações.
A atitude de João Alberto foi interpretada como manobra para retardar a aprovação do relatório final, até que fosse eleito – provavelmente hoje – o novo presidente do Conselho, o também peemedebista Juvêncio da Fonseca (MS), em substituição a Geraldo Althoff (PFL-SC). Fonseca filiou-se ao PMDB conduzido por Jáder Barbalho.
Com a finalização do relatório, a tropa de choque do PMDB, até então atuando de forma discreta, entrou em ação para tentar salvar Jáder. Os senadores Renan Calheiros (AL), Ney Suassuna (PB) e o próprio João Alberto foram ao gabinete de Tuma para pressioná-lo. Sem resultado.