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PROFISSIONALIZAÇÃO
Pousadas de Noronha têm nova classificação

A nova classificação das hospedarias de Noronha pode parecer mera troca de titulação, mas, na prática, indica uma mudança significativa na estrutura de hospedagem da ilha

por BRUNO ALBERTIM

Desde a semana passada, Fernando de Noronha possui, na prática, uma nova classificação de sua rede de hospedarias. Criada em 1999, a matriz de titulação das hospedarias domicialiares – a única forma de acomodação que a ilha oferece – foi implantada depois que 18 estabelecimentos conseguiram se ajustar aos critérios da nova matriz que, em vez da classificação usual em estrelas, diferencia os estabelecimentos por golfinhos. Até o dia 31 de outubro, de acordo com a Administração da Ilha, as 82 pousadas restantes precisam resolver suas pendências para ‘receberem’ um, dois, ou três golfinhos, que irão indicar a qualidade dos serviços de que dispõem.

A nova classificação não impõe limites de preço para cada uma das categorias. Há pousadas sem golfinhos na titulação, por exemplo, que possuem preços altos e, conseqüentemente, conforto e serviços de excelência, em relação ao que a ilha oferece. É o caso, por exemplo, da Pousada Dolphin Hotel, localizada atrás da Praia da Conceição, onde fica o famoso Morro do Pico de Fernando de Noronha. Com água quente, piscina, ar-condicionado, banheiras de hidromassagem, salão de TV a cabo, vídeo e DVD, a Dolphin não recebeu nenhum golfinho nessa primeira classificação. “A planta do meu sistema de esgotamento sanitário deve ser refeita. Faltam também alguns documentos na parte burocrática”, diz a proprietária Gardênia Gama. A pousada tem diárias que variam de R$ 160 a R$ 250, entre a baixa e a alta estação. No restante da ilha, no entanto, hospedarias mais simples podem oferecer diárias a partir de R$ 50.

“É preciso, para a classificação, possuir a certificação de todos os órgãos competentes. Desde a licença da Administração, até todas as licenças de caráter ambiental da Companhia Pernambucana de Meio Ambiente”, explica Marcos Sereno, coordenador do Programa de Classificação das Hospedarias.

FAVELIZAÇÃO – A nova classificação das hospedarias de Noronha pode parecer mera troca de titulação, mas, na prática, indica uma mudança significativa na estrutura de hospedagem da ilha. Apesar de sua beleza, o arquipélago é um destino turístico relativamente recente. Com a proibição legal de novas construções na ilha, que consiste numa rigorosa área de proteção ambiental, vários moradores, pressionados pelo fluxo de visitantes, acabaram transformando suas moradas em pousadas. Daí o termo hospedaria domiciliar para os estabelecimentos de Noronha.

“Vários moradores acabaram erguendo construções clandestinas, nas quais acomodavam a família inteira para deixar os melhores cômodos para os hóspedes”, diz Sérgio Salles, administrador de Fernando de Noronha. “Quando conversávamos com as crianças, por exemplo, elas diziam que queriam ser turistas quando crescerem, porque, isso, para elas, significava qualidade de vida”, diz. Pelos novos critérios de classificação, só podem receber golfinhos na titulação as pousadas que possuírem acomodação satisfatória para a família dos proprietários. Assim, os envolvidos com o turismo noronhense acreditam ter eliminado um processo de favelização que a visitação parecia estar iniciando na ilha.

Além desse critério de caráter social, as pousadas se diferenciam, umas das outras, por outros itens, como o tamanho mínimo dos quartos e a quantidade de banheiros por hóspede. Para adquirir o título de três golfinhos, é preciso que a hospedaria tenha, por exemplo, pessoal com conhecimento de uma língua estrangeira, serviço para monitoramento das expectativas e solução dos problemas dos hóspedes e banheiros privativos para todos os hóspedes, cofres e áreas sociais que permitam o convívio familiar distinto.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2001
Quinta-feira