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MATO GROSSO DO SUL II
A água é fria, vai encarar?

O passeio pelo Parque das Cachoeiras e a aventura nos botes de rafting são uma boa introdução às atrações naturais do balneário

Bonito concentra uma variedade incrível de artigos luxuosos: ar puro, água limpa, mata preservada. Invariavelmente, essas qualidades são encontradas num único local, uma confortável notícia para o turista. A Estância Mimosa, a 26 quilômetros do centro da cidade, é um exemplo desses ‘oásis’ rurais muito típicos na região. É no espaço da Mimosa (fazenda com 400 hectares) que está o Rio Mimoso, repleto de cachoeiras, trilhas, saltos e piscinas naturais.

Para se ter acesso às quedas d’água, é preciso, como de costume, realizar uma pequena caminhada entre a mata nativa. Durante o trajeto, já se ouve, bem perto, o som das cachoeiras. É um bom momento para se preparar para o que vem pela frente. Cada grupo só pode ser formado por até oito pessoas, fato que diminui substancialmente o impacto ambiental na região. A regra também é preciosa para a garantia de bons banhos: você nunca vai encontrar uma das piscinas repletas de turistas, a não ser com aqueles que já fazem parte do seu próprio grupo.

O chamado Parque das Cachoeiras oferece cinco bons locais para o banho (e mergulho, para os mais corajosos). A cachoeira mais alta é a do Sol, onde existe uma gruta com o mesmo nome. Por alta entenda-se apenas quatro metros (nenhum dos saltos do Rio Mimoso ultrapassam essa marca). O banho nesse trecho é delicioso: a água, curiosamente, é um pouco mais ‘quente’ e a formação rochosa local faz com que a água fique represada, desembocando em outra cachoeira um pouco menor.

Outro salto tem o sugestivo nome de Cachoeira do Desejo. A razão do nome se deve à uma pequena gruta ao lado da queda d’água. Ali, o tempo foi responsável pela escultura de uma forma que lembra determinada parte do corpo masculino. Os guias, quando irreverentes, adoram fazer suspense sobre a ‘surpresa’ da gruta. “Vocês devem fechar os olhos antes de entrar, pensar num pedido e depois abrir os olhos, já dentro da caverna”, explicava o guia de codinome Batata, com seu sotaque que lembra uma mistura do ouvido no interior de São Paulo com o gauchês. Batata, meio malandro, tem cara de quem já pregou peça em muito marmanjo com estampa jiu-jitsu.

Na Cachoeira do Desejo, uma plataforma com seis metros de altura faz a festa de quem não quer ficar apenas na tranqüilidade de um banho. Pular dali requer coragem: se não pela altura, mas pelo impacto que a água fria causa no corpo. O local da queda possui cerca de sete metros de profundidade. Os riscos, no entanto, são mínimos: antes de deixar que os turistas entrem na água, os guias saltam da plataforma para assegurar que nenhuma árvore ou mesmo algum animal estejam submersos.

SOPA PARAGUAIA – Quem pensa que o passeio acaba após os banhos e a trilha está enganado. Muda-se apenas de ‘etapa’. Dessa vez, é hora de encarar um roteiro pela culinária sul-matogrossense, que possui elementos bastante conhecidos entre os nordestinos, como a macaxeira (lá, é mandioca) e o doce-de-leite (sobremesa mais comum, sempre acompanhado com queijo de minas). Uma das delícias locais é a sopa paraguaia, uma espécie de suflê de queijo e milho que acompanha churrascos e guizados de frango. Muito bom. A cozinha da Estância Mimosa é um luxo: tudo foi mantido na forma original, desde panelas, canecas e xícaras até os móveis de madeira. O charme fica por conta de uma ‘bica’, dentro da própria cozinha, utilizada antigamente para a lavagem de pratos. Hoje, a mini-corredeira funciona para o resfriamento de pratos e ainda como atração turística. Toda a comida é feita em fogões a lenha. Depois da odisséia você pode descansar nos redários (conjunto de redes de couro). Também são oferecidos passeios a cavalo pela estância.

NA CORREDEIRA DO FORMOSO – Tem mais água pela frente: o radical-light passeio de bote pelo Rio Formoso. Não é preciso ter medo da aventura: as quedas são tranqüilas, e não provocam mais do que sustos de mentirinha que todo mundo adora sentir. O percurso total do passeio é de oito quilômetros, com quatro quedas durante o trajeto.

Curiosamente, não são apenas as quedas que atraem a atenção no Rio Formoso, porém o tempo do passeio entre cada uma delas. É justamente o momento para se observar a fauna local (a visualização é melhor durante as cheias, quando é possível avistar até sucuris). Você ainda pode cair ‘sem querer’ do bote e tomar banho no rio, que, é bom avisar, é profundo. A segurança fica por conta dos coletes salva-vidas, obrigatórios para todos que participam da empreitada. Os guias são especializados nesse tipo de embarcação e, antes de iniciar o passeio, conversam com os visitantes informando os procedimentos durante as quedas. Atenção: existe uma espécie de norma entre os grupos de diferentes botes: a guerra da água. Logo, prepare-se para se molhar ainda dentro da embarcação. Após vencer a última e mais radical cachoeira (com quatro metros), é hora do ‘banho oficial’: os botes ‘atracam’ e todos podem cair na água. Você já vai estar molhado mesmo. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2001
Quinta-feira