Carro produzido por alunos da Universidade Federal de Pernambuco ficou em sexto lugar na competição SAE Brasil. Sucesso do modelo fez a equipe pensar na produção de uma versão lazer do veículo
O mini Bajas nasceu numa universidade norte-americana. O objetivo do professor, apaixonado por automóveis, era de os alunos produzirem um veículo off road de pequenas dimensões, inspirado nos carros que rodam no deserto de Bajas, no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo que servia de disciplina prática, o carrinho passou a ser um cadeira oficial nos cursos de Engenharia Mecânica dos Estados Unidos. O programa consiste no projeto e construção do mini Bajas como um carro para competição off road entre universidades.
A idéia ganhou o mundo, promovida pela Society of Automtive Engineer (Sociedade do Engenheiro Automotivo) e chegou até o curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1999. Este ano, a equipe Mangue Baja conseguiu a sexta colocação geral entre as 73 equipes participantes da Competição Nacional SAE Brasil e já pensa em produzir o carro em versões de lazer.
A idéia ainda é insipiente. Mas o mini Bajas pernambucano tem dado outros frutos. A experiência com mecânica automotiva estimulou os coordenadores do projeto na UFPE, professores Laurênio Accioly e Carlson Verçosa, a ir em busca da implantação do Núcleo de Interação da Mobilidade. “O núcleo servirá para o desenvolvimento de pesquisas que venham a melhorar a qualidade dos produtos no setor automotivo”, acredita Accioly. O projeto conta com a participação do Sebrae, UFPE e do Governo do Estado. A exemplo dos centros de treinamento automotivos que existem na Escola Técnica e no Senai, o núcleo reunirá parceiros de peso, como montadoras e empresas de autopeças interessadas em investir em novos talentos saídos das universidades. Segundo o reitor Mozart Ramos, “esse será o carro-chefe da UFPE, colocado como espelho do empreendedorismo.” Se os recursos vierem logo, a idéia é iniciar a construção do NIM este ano.
CONSTRUÇÃO – A performance da equipe Mangue Bajas da UFPE os levou ao título de 2ª melhor universidade, no relatório de projeto de engenharia da SAE. “A SAE impõe regras de segurança e especificações em termos de projeto”, explica Accioly. O carro fabricados pelos alunos da UFPE, como os outros modelos Baja, é feito em estrutura tubular e aço carbono. Para garantir a resistência do chassi, a análise é feita por meio de programa de computador. O carro mede 2,10 m e tem 1,40 cm de largura. Seu peso é de 170 quilos. O motor importado tem 8 cavalos e permite atingir a velocidade de 65km/h, muito para um carrinho tão leve.
Para o próximo ano, o mini passará por reformulações, ganhando motor de 10 cavalos. “O papel das universidades é formar profissionais para o mercado de trabalho. Mas elas têm outros compromissos. Entre eles, o de disponibilizar o seu potencial de conhecimento, se aproximar da sociedade e dos setores produtivos”, ressaltou Carlson Verçosa. Para o aluno e capitão da equipe, Januário Leal Vieira, participar do projeto mini Baja é estar se preparando para o mercado de trabalho que move o mundo da Engenharia Mecânica (indústria automotiva), podendo aliar a teoria com a prática”, enfatiza Vieira.