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ARTIGO

A história do Bentão

SÉRGIO PAIVA

Neste domingo será corrida a 32ª edição do Grande Prêmio Bento Magalhães, no areião do Hipódromo da Madalena. Esta prova, que é a mais tradicional do turfe nordestino, teve como seu idealizador o grande turfista Mauro Branco, na época, presidente da entidade.

Ele pensou longe e deslumbrou o congraçamento do hipódromo nordestino, o que para muitos não passava de um sonho. Mauro foi adiante, e no ano de 1964 conseguiu realizar a primeira edição do que seria um marco importante para a nossa região, o “Bentão”. Logo os cearenses, tanto de Fortaleza como de Sobral, acompanharam a iniciativa, começando aí uma sadia e profícua rivalidade.

Mauro deu a denominação de Grande Prêmio Bento Magalhães para homenagear o coronel Bento, a quem ele conheceu presidindo o Jockey Club de Pernambuco quando ingressou no turfe. Assim o fez, como poderia ter feito a homenagem a qualquer um dos presidentes, que, com abnegação e amor, dedicaram seu tempo e trabalho em prol do nosso querido Jockey Club.

Sendo o J.C.P. um clube que não oferece chance para se fazer trampolim político, assim como ocorre nos grandes clubes futebolísticos, e sendo também uma instituição que financeiramente não é rica, muito amor, tão-somente, se requer para presidi-la. Eu, há cinqüenta e dois anos, levado pelo meu amigo-irmão, José Joaquim Pinto de Azevedo, turfista de primeira grandeza, nunca mais deixei de freqüentar, vibrar e dar um pouco de contribuição com meu trabalho ao clube onde fiz grandes amizades e, ainda hoje, vejo com orgulho e satisfação que nem as duas grandes cheias que assolaram o Recife e destruíram por completo nosso hipódromo, não foram capazes de matá-lo.

Conseguimos reerguê-lo e, mesmo nas maiores crises, o J.C.P. sempre conseguiu superar, como ainda hoje o faz sob a presidência do grande e abnegado turfista, Ricardo Pereira.

Vale ressaltar que o J.C.P. talvez seja uma das raras agremiações sócio-esportivas que esteja sem débitos exigíveis com o INSS e não possua débitos na praça, sendo dona de um patrimônio invejável. Tudo isto é fruto do trabalho de todos os presidentes e suas diretorias ao longo de sua existência.

Creio eu que, na escolha do nome Grande Prêmio Bento Magalhães, Mauro Branco prestou uma homenagem a todos os presidentes, passados, presentes e futuros e, por isso mesmo acho que já é tempo de fazer um Grande Prêmio Mauro Branco, na sua distância predileta dos 1.800 metros. Justa homenagem a quem tanto se deu pelo engrandecimento do centenário Jockey Club de Pernambuco. (Não cito mais nomes pois, seriam necessários uns cinqüenta artigos deste tipo para contar a história de cada um deles).

Hoje sei que o “Bentão” não é mais um sonho e sim uma realidade que se firma a cada ano com maior brilhantismo. Muito ainda se tem por fazer. Planos não faltam e ânimo também, aliados à grande união dos turfistas, seja cada vez mais, elevado o nome do Hipódromo da Madalena no cenário nacional.

Sérgio Paiva é turfista ________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira