Excerto do clássico do balé mundial é remontado pelo grupo no espetáculo Retalhos em Três Tons, em cartaz no dia 20, no Teatro da UFPE
Para as escolas de dança, o fim do ano é sempre um momento de coroação. É a hora dos alunos mostrarem o que aprenderam em horas a fio de exercícios na barra e receberem os merecidos aplausos do público. No próximo dia 20, Carolemos Dançarte apresenta, no Teatro da UFPE, a sua produção de 2001. Intitulado Retalhos em Três Tons, o espetáculo traz como destaque a remontagem de La Fille Mal Gardée (A Filha Mal Guardada), encenada pelo grupo desde 1991. Cento e cinqüenta pessoas sobem ao palco.
Apresentada pela primeira vez em 1786, La Fille... (como a obra é chamada pelos profissionais da dança) foi criada pelo francês Jean Dauberval e retrata o amor de dois camponeses, que sofrem pressões sociais e familiares que os impedem de viver o romance. A bailarina Carol Lemos, diretora do grupo, inspirou-se na versão do Royal Ballet para conceber a montagem. “Acho que os balés de repertório, quando bem executados, são completos, por isso, desde 1990, celebramos grandes produções. Começamos exatamente com La Fille Mal Gardeé, que agora refazemos em parte. É um balé alegre, divertido, que combina com o temperamento do povo nordestino. O clima influi muito no nosso jeito descontraído e mais chegado a peças leves, menos densas”, argumenta.
A decisão do balé de apostar na remontagem de La Fille devolve o grupo aos espetáculos clássicos, condição abandonada, em parte, pela Carolemos Dançarte, em 1999, quando apresentou o espetáculo O Rei Leão, baseado no filme da Disney. “Optei por algo bem diferente, já que estávamos na virada do século. Foi uma experiência maravilhosa, aliamos a dança clássica ao contemporâneo e ao popular e o resultado foi surpreendente”, comenta, entusiasmada, a bailarina, que contou com a ajuda do coreógrafo Marcelo Pereira.
A opção em levar para o palco produções consagradas alia-se à tradição de lançar novos profissionais no mercado. “Tive a honra de descobrir muitos talentos, a exemplo de Marcelo Athayde, que, hoje, está na França, e Ivaldo Mendonça, que atua na Cia. Deborah Colker. Outro que começou fazendo aula aqui, na academia, foi Ricardo Almeida, que preparei em tempo recorde. Ele chegou aqui aos 14 anos e ficou até os 17. Hoje, está no Ballet do Estado de São Paulo. É um menino muito talentoso, que desde o início, queria ser bailarino. Foi um das atrações de Dom Quixote”, salienta Carol Lemos, referindo-se à produção levada ao palco pelo grupo em 1998.
Na atual versão de La Fille Mal Gardeé, a coreógrafa pernambucana apresenta ao público o novo alvo de sua dedicação: o bailarino Julcélio Nóbrega, intérprete de Colas, o protagonista masculino da peça. “Ele é o meu segredo para este espetáculo. Está comigo há apenas três anos e, durante esse tempo, se desenvolveu muito”, destaca a diretora, que contou com o apoio da Varig e do Sesc Santo Amaro na nova produção.
A personagem feminina do balé, Lise, a verdadeira ‘filha mal guardada’, foi entregue à bailarina carioca Roberta Vieira, do Ballet Eliana Karin. Completam o programa de Retalhos em Três Tons as coreografias Estação 3, de Airton Tenório, e Baleiando, no segundo ato. A parte final leva o título de Bonito Por Natureza e, além do balé clássico, explora o flamenco e o sapateado.
Dia 20, Teatro da UFPE, 20h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5