 |
 |

BALÉ II
Paixão de criança que
virou profissão de fé
A paixão de Carol Lemos pelo balé vem da infância, desde os 10 anos, quando calçou uma sapatilha pela primeira vez. O ano ela não esquece: 1957. “Quem me iniciou no balé foi Flávia Margarida de Barros. Tive sorte porque entrei numa boa escola, que ficava bem em frente à minha casa”, relembra a bailarina, que só abandou a dança quando casou, aos 18 anos. “Dei uma parada de quatro anos, tive duas filhas. Voltei e não larguei mais”, diz.
Foi no Rio de Janeiro, onde morou na década de 70, que Carol aperfeiçoou os estudos na dança. “Estudei com Eugênia Teodorova, que, na época, formava os profissionais mais importantes do País. Era o ‘la creme’ brasileiro. Quando voltei do Rio, ela me orientou para que eu iniciasse minha primeira turma no Recife”, conta a diretora.
Após ensinar em algumas escolas já existentes no Recife, a diretora fundou, em 1983, a Carolemos Dançarte, que funciona na Rua Barão de Contendas, nos Aflitos. “Resolvi fundar a minha própria escola quando percebi que as demais academias não tinham o balé como produto principal, que desviavam a atenção com outros ritmos”.
Apesar de perder a conta do número de profissionais que formou, Carol Lemos diz que o preconceito e a falta de apoio ainda impede que muitos talentos se concretizem. “É triste que, ainda hoje, o preconceito atrapalhe a formação de bailarinos. Se houvesse algum tipo de incentivo, teríamos salas cheias, com profissionais do quilate dos bailarinos russos”, salienta a diretora.
___________________________________
|

Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001 Quarta-feira
|