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DENÚNCIA
PMs acusados de tortura

24 detentos do presídio de Caruaru afirmam que eles e alguns de seus parentes foram vítimas de espancamentos, choques e abusos sexuais. Os agressores seriam policiais à paisana

RICARDO NOVELINO

A Promotoria de Justiça do Ministério Público de Caruaru está investigando o envolvimento de dez policiais militares em prática de torturas contra detentos do presídio da cidade. De acordo com a denúncia feita por 24 presos, que veio à tona na semana da comemoração do Dia Mundial da Declaração dos Direitos Humanos, PMs lotados no 4º Batalhão e do Serviço Especial de Inteligência (SEI) estariam agindo com violência no ato das prisões, antes de levá-los para a cadeia. Diante das acusações, os corregedores da Secretaria de Defesa Social, representantes de organizações não-governamentais e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanham os depoimentos dos presos e ajudam a apurar os fatos.

Dos 24 detentos convocados para prestar depoimento, nove já foram ouvidos, identificando nomes dos policiais e revelando detalhes das práticas de torturas sofridas. As denúncias chamaram a atenção do Ministério Público por causa da uniformidade dos fatos relatados. A maioria dos detentos, revela o promotor da 1ª Vara Criminal de Caruaru, Zadir Barbosa de Oliveira, afirma ter apanhado de grupo de PMs à paisana, sendo arrastados de casas e sítios e levados para um local denominado de “escritório”. Essa área está localizada nas proximidades da casa de Show Paladium, na BR-104.

No “escritório”, acrescenta Zadir de Oliveira, os presos revelam ter sido amordaçados, espancados com chutes e pontapés, além de sofrerem em sessões de sufocamento com bolsas plásticas banhadas em gasolina. “Temos relatos de tortura de familiares dos presos e até casos de agressões sexuais e choques elétricos”, afirma o promotor. Outra característica que impressionou o MP é o perfil dos detentos responsáveis pelas acusações. “Muitos são usuários de drogas e foram torturados para confessar a participação no tráfico de maconha.Todos eles afirmam ter sido espancados de um ano para cá, o que facilita o nosso trabalho de investigação”, ressalta.

A denúncia de prática de tortura contra os presos de Caruaru surgiu a partir do depoimento de C. J, detido por participar de um saque, este ano, em Toritama, no Agreste. Depois dele, os 262 detentos do presídio se mobilizaram e decidiram fazer uma lista de nomes de interessados em denunciar os PMs.No dia 3 de dezembro, foi realizada a primeira sessão de depoimentos, que prosseguiram ontem.

“Nós temos uma determinação de não receber presos com sinais de tortura na cadeia. Mesmo assim, os casos estão acontecendo com freqüência e os agressores estão ficando cada vez mais refinados e não deixam marcas”, declarou o diretor do presídio de Caruaru, Guilherme Azevedo.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira