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DENÚNCIA II
Corregedores só falam sobre acusações com provas

Apesar de os depoimentos dos detentos de Caruaru conterem nomes de policiais militares e detalhes das práticas de tortura, os corregedores designados pela Secretaria de Defesa Social para acompanhar o caso tiveram cautela na análise dos fatos. Ontem, durante mais uma ouvida de presos, o corregedor-adjunto da SDS, delegado Marcos Mattos, e o tenente-coronel Neyff Souza informaram que ainda não existem provas materiais do crime. Por isso, eles só poderão se pronunciar sobre as denúncias após o término da checagem de informações dadas pelos detentos.

A corregedoria pretende ouvir os parentes das vítimas citados nos depoimentos e analisar prontuários dos denunciantes, além de eventuais fichas médicas e exames de corpo de delito feitos pelo Instituto de Medicina Legal (IML). Todos os acusados terão oportunidade de prestar depoimento e preparar a defesa. “Checaremos os arquivos com escalas de serviço para saber se o policial denunciado estava mesmo trabalhando no dia da eventual tortura. Os relatórios de ocorrência policial (ROP) fornecem todos os dados de prisão e também serão analisados”, afirmou Mattos.

O tenente-coronel Neyff Souza também quer aprofundar as investigações de alguns fatos citados durante os depoimentos dos detentos. Para o oficial, é estranho que a grande maioria dos presos tenha decidido acusar os policiais um ano depois, ou até mais, do acontecimento. ”Temos que levar em conta vários fatores nessa apuração. Nenhum preso gosta do policial que o prendeu. Também pode haver uma tentativa de prejudicar um determinado PM que atua na cidade”, comentou.

As investigações devem ser finalizadas em 30 dias. Se forem condenados, os PMs podem pegar até quatro anos de prisão, sofrer punições administrativas e até serem excluídos do quadro funcional.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira