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DENÚNCIA III Detentos depõem e confirmam agressões sofridas por soldados Ontem à tarde, o promotor Zadir Barbosa de Oliveira e os integrantes da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) Marcos Mattos e tenente coronel Neyff Souza tomaram depoimentos de dois detentos do presídio de Caruaru. Os presos identificados pelas iniciais A. e V. relataram detalhes das torturas sofridas no ato das prisões. ZADIR DE OLIVEIRA Quando e como você foi preso? A. Eu fui preso há um ano, em casa. chegaram várias motos e mais de dez carros para me prender. Minha mãe, meu pai e meus irmãos estavam em casa e viram tudo. ZADIR DE OLIVEIRA Quem estava comandando essa operação? A. Tinha um cabo e um soldado que meus familiares já conheciam de outras histórias. ZADIR DE OLIVEIRA E o que aconteceu no caminho da sua casa até a delegacia de Caruaru? A. Eles me bateram muito com pedaços de madeira com pregos. Depois começaram a fazer ameaças. Um dos soldados dizia que se eu tivesse sido preso por uma outra guarnição seria até pior. Eu morreria. Depois me acusaram de assassinatos que eu não cometi. ZADIR DE OLIVEIRA Como aconteceu a sua prisão? V. Eu estava em casa quando chegaram três policiais militares, que eu reconheci. Eles afirmavam que eu era traficante de maconha e não acreditaram quando eu disse que apenas fumava. ZADIR DE OLIVEIRA O que eles fizeram quando você negou ser traficante? V Um dos PMs, o comandante da operação, me deu uma porrada com um pedaço de madeira e perguntou pela maconha. Apanhei durante uma hora e meia e quebrei duas costelas. Eles ainda colocaram a pistola no meu ouvido e mandaram eu dizer que era traficante. Eu confessei e assinei o papel na delegacia dizendo que tinham encontrado maconha na minha casa. ZADIR DE OLIVEIRA Você foi socorrido em algum hospital? V. Me levaram para o Hospital Regional, tiraram radiografias e me mandaram para a cadeia. |
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