O BNDES autorizou a liberação de R$ 920 mil para a restauração do templo, o que deve ocorrer no início do próximo ano. Projeto prevê reforma de toda a estrutura física
A restauração da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, nos Montes Guararapes, em Jaboatão, vai sair do papel no início do próximo ano. Segundo o coordenador do projeto, Múcio Aguiar Neto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) autorizou a liberação da verba – R$ 920 mil – necessária às obras. “Essa igreja tem um valor inestimável para a história do Brasil e do Estado, porque ela simboliza a formação do Exército brasileiro, com a vitória sobre o holandeses na Restauração Pernambucana”, afirma Aguiar.
O projeto prevê a restauração de toda a área física da construção, incluindo os bens integrados (peças incorporadas à estrutura da igreja) e o bens móveis (peças removíveis), além do claustro, onde hoje ocorrem as recepções de casamentos, e construções agregadas, como duas casas situadas em frente ao templo.
As mudanças serão percebidas logo na entrada. A fachada vai ganhar novo brilho com a limpeza das pedras e o restauro dos azulejos que cobrem a parede e as duas torres sineiras. Para resgatar a beleza das peças, elas devem passar por um processo de dessalinização, uma vez que a maresia vem corroendo a estrutura lentamente. “Os azulejos externos são uma das peculiaridades desse monumento”, explica o coordenador do projeto.
Os altares também ganharão atenção especial dos restauradores. Segundo Múcio Aguiar, se nada fosse feito, o altar-mor de Nossa Senhora dos Prazeres teria apenas mais cinco anos de vida. “Os cupins transformariam a estrutura em pó”, observa.
Depois do tratamento anticupins, o próximo passo será resgatar os detalhes pictóricos da base do altar e dar os contornos originais à imagem da padroeira do município, Nossa Senhora dos Prazeres. Os altares laterais, do Bom Jesus e de Santana, vão passar pelo mesmo processo e ainda ganharão douramento.
O piso da igreja, hoje apresentando desníveis e falhas, vai ser refeito com nova tijoleira mantendo as características atuais. O ambiente ainda receberá sistema de ar condicionado e nova iluminação para ressaltar as peças artísticas.
Das construções agregadas, duas casas que fazem parte do complexo ao redor da igreja serão reformadas para se tornar um posto de vigilância permanente e um salão paroquial. O cruzeiro situado no terreno em frente ao monumento também será restaurado e a grama, refeita para destacar o caráter de santuário. No local estão enterrados soldados mortos nas batalhas contra os holandeses.
O projeto de restauro do monumento foi desenvolvido a pedido do Mosteiro de São Bento, que administra a igreja, com a orientação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Está sendo viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, no Programa Nacional de Cultura (Pronac).