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FITOTERAPIA
Testes comprovam ação de plantas medicinais

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco estudam propriedades medicinais de três espécies da caatinga. Trabalho foi iniciado em outubro e vai abranger mais 20 tipos de vegetais

As propriedades medicinais de três espécies da caatinga – a moricica, a catingueira-rasteira e a baraúna – estão sendo testadas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O trabalho, iniciado em outubro, tem duração de quatro anos e estudará mais 20 espécies.

As plantas foram escolhidas entre 190 listadas num inventário de espécies da caatinga concluído ano passado pelo Programa Xingó/Chesf. “Levamos em conta, principlamente, se a planta é nativa e se é amplamente usada na medicina popular”, explica a coordenadora do trabalho, a profesora Maria Bernadete Maia.

Uma das plantas, a baraúna, tem sua folhas e cascas empregadas em remédios caseiros contra asma, dor de dente e inflamação. A planta, que atinge 12 metros, também é encontrada no Cerrado. Já a moricica tem suas folhas e raízes usadas como abortivo e no tratamento de gastrite. A catingueira rasteira, por sua vez, é indicada pela medicina popular para gripe, flatulência e gastrite, além de ser empregada como afrodisíaco.

Bernadete adianta que as plantas serão testadas não apenas para as afecções indicadas pela medicina popular. “Vamos avaliar uma série de atividades”, adianta. Os testes, que têm a colaboração da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), serão feitos no Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais da UFPE.

DADOS – O inventário concluído no ano passado se constituiu na primeira etapa da pesquisa. Depois, a equipe produziu um banco de dados, com informações sobre a flora e fauna da caatinga. “Agora estamos na terceira etapa, que é da identificação e caracterização química, farmacológica e toxicológica das plantas”, diz Bernadete.

Durante a primeira etapa, os pesquisadores anotaram os usos medicinais das plantas listadas. “Neste momento, estamos fazendo uma triagem para verificar, de fato, para que serve cada planta”, esclarece a coordenadora do estudo. Bernadete destaca ainda o estudo toxicológico. “É ele que vai identificar o quanto a planta é tóxica”, diz.

A partir dos estudos fitoquímicos é que podem ser realizados os testes do extrato retirado da planta em animais e, posteriormente, em humanos. A pesquisa sobre as três espécies envolve ainda a determinação do princípio ativo das espécies, que é a substância que possui o efeito terapêutico.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira