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RELIGIÃO Frade ainda faz celebrações, mesmo proibido
NARA LÚCIA
Indiferente à proibição, pela Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Olinda e Recife, de exercer qualquer função sacerdotal e “seu suposto dom de curas”, o padre Jerônimo Gomes de Souza comandou ontem mais uma noite de louvor ao Espírito Santo, no Clube Atlântico de Olinda. “Vou continuar o meu trabalho ao lado do povo porque sou um padre independente. Somente o papa pode me impedir de exercer meu sacerdócio”, afirmou.
Frei Jerônimo, como é chamado por ter sido frade franciscano, disse que o arcebispo Dom José Cardoso manda apenas nas igrejas sob sua jurisdição. “Não manda nos colégios particulares, nos clubes e nas casas onde realizo os louvores pela vontade de meu povo.” Em junho de 1997, ele foi afastado da arquidiocese, pelo arcebispo, sob a acusação de praticar uma antiliturgia. Na época, o religioso celebrava missas de cura dos enfermos, na Igreja de São José, em Olinda.
Em apoio ao padre, que tem 41 anos de idade e 13 de sacerdócio, muita gente lotou o Clube Atlântico para participar do louvor. “Se Jesus estivesse aqui, estaria nas favelas, ajudando os mais necessitados. Isso, o verdadeiro cristianismo, é o que frei Jerônimo faz. Distribui medicamentos, cestas básicas, sopa e pão com os pobres e visita enfermos nos hospitais”, disse o engenheiro aposentado Ésio do Rego Barros, residente em Paulista.
O estudante Guilherme Magalhães, que mora em Olinda, afirmou que graças às orações feitas por frei Jerônimo conseguiu ter perspectiva na vida. “Ele me ensinou que tendo fé, tudo se consegue.” Para Fátima Fernandes, do bairro de Campo Grande, o sacerdote está trazendo de volta às igrejas os católicos que se encontravam afastados. “Esse homem é uma bênção de Deus.”
A noite de louvor, com duração de pouco mais de uma hora, começou com frei Jerônimo dizendo que com perdão e fé no coração tudo se resolve, tudo se cura, pela vontade de Jesus e do Espírito Santo. Depois, o padre leu uma passagem do Evangelho sobre o bom pastor que vai atrás de uma ovelha desgarrada. “O verdadeiro pastor se preocupa com seu rebanho e não com o templo de pedra e as leis”, completou.
Na hora das curas e graças, as luzes se apagaram e o sacerdote pediu que Jesus tocasse nas partes enfermas das pessoas. “Jesus cura porque a gente crê”, ensinou. Com velas acesas, os presentes, silenciosamente, pediram que suas graças fossem alcançadas. Depois, frei Jerônimo aspergiu água benta e abençoou muita gente. O louvor terminou com os testemunhos de curas, que as pessoas disseram ter obtido com a ajuda das orações do padre.
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