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Baixa expectativa de
vida
O IBGE divulgou,
recentemente, uma pesquisa que estamos comentando com
desagrado. Nela, Alagoas e Pernambuco, nesta ordem,
apresentam as mais baixas taxas de expectativa de vida do
País.
Tal resultado não chegou a causar uma grande surpresa
para os analistas dos fatos econômicos, porquanto se
trata de dois Estados (até a Revolução Pernambucana de
1817, constituíam uma única Província) em que a
monocultura canavieira, de característica sazonal,
ocupou historicamente as melhores terras. Hoje, a morte
por desnutrição na antiga Zona da Mata vem sendo
agravada pelos assassinatos diários nas cidades, com o
crescimento dos índices de violência nos dois Estados.
Nove meses atrás, em março deste ano, pesquisa
patrocinada pelo Programa das Nações Unidas conhecido
como PNUD colocava o Recife em penúltimo lugar, entre 12
grandes capitais brasileiras, quanto ao Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), que combina quatro
indicadores básicos: a taxa de analfabetismo, a
esperança de vida, o número médio de anos de estudo e
a renda per capita. Já neste levantamento, a capital
pernambucana apresentou a menor expectativa de vida entre
os grandes centros urbanos do País, pouco mais de 63
anos. Maceió, que agora aparece na última posição,
não foi incluída em tal estudo. Quem se lembra das
reportagens e comentários deste jornal sobre o assunto,
decerto não se surpreendeu com os dados mais recentes do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A
expectativa de vida para todo o Estado é agora de 63,7,
enquanto em Alagoas é de 63,2 anos.
O principal índice em que os pesquisadores se apóiam
para calcular a expectativa de vida ao nascer é a taxa
de mortalidade infantil. Nesse tocante, convém assinalar
que documentos governamentais afirmam ter havido uma
sensível melhora, em Pernambuco, entre os anos de 1992 e
1999. Enquanto o Brasil apresentou 34,6 mortes por grupo
de mil crianças nascidas vivas e o Nordeste 53
Pernambuco apresentou 58,2. Como conciliar as duas
informações? É preciso relembrar sempre que os dados
estatísticos só funcionam como bons indicadores da
realidade, quando integrados numa série temporal, em que
se medem as tendências (para melhor ou para pior)
comparativamente, de um ano para outro.
Vêm sendo considerados, pelo IBGE, tanto as taxas
naturais de mortalidade quanto as mortes por violência,
como fatores decisivos para a projeção da expectativa
de vida. E isso pode explicar a situação
desconfortável do nosso Estado, nas estatísticas
nacionais. No ano passado, Pernambuco chegou a ser
apontado como o Estado mais violento do País, em
pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas
para Educação e Ciência (Unesco).
Segundo o relatório divulgado na ocasião, a taxa de
homicídios na população total do Estado era de 58,8
para cem mil habitantes, com incidência maior na
juventude, pois entre os jovens de 15 a 24 anos aquele
número duplica, chegando a 115,4 mortes. Estes
registros, ao contrário dos referentes à mortalidade
infantil, poderão ter piorado, apesar dos esforços,
testemunhados por toda a população, empreendidos pelo
Governo do Estado, para reduzir a criminalidade, pelo
menos em algumas áreas de violência comprovada.
Mas, além dos problemas estruturais que precisam ser
resolvidos para aumentar a oferta de emprego formal e a
renda da população, o Governo de Pernambuco se acha
envolvido num impasse em relação à segurança
pública. Um dos reflexos desse problema é a crise de
autoridade que vem desorganizando nossa Polícia Militar.
Esse impasse de ordem interna que possui, em seu bojo,
componentes político-partidários, impede uma ação
unitária e ininterrupta, para reduzir a impunidade. E
isso se transforma no estímulo maior para toda a forma
de crimes, em nosso Estado.
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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-Feira
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