O que é o tumor hepático?
É um dos tumores mais raros entre crianças, correspondendo a apenas 1,1% dos tumores. O tumor surge nos tecidos do fígado, um dos maiores órgãos do corpo, que preenche o lado direito superior do abdômen e está protegido pelas costelas. O fígado exerce muitas funções no corpo. Pode ajudar na troca de alimento em energia e também filtra e estoca sangue.
Os dois tipos de tumores de fígado nas crianças são: hepatoblastoma (95% dos tumores em crianças com menos de 5 anos), e câncer hepatocelular (sendo praticamente 100% dos tumores no grupo etário de 15 a 19 anos). A forma do tumor está baseada na imagem do tumor sob o microscópio. A forma mais comum em crianças abaixo de 3 anos é o hepatoblastoma, enquanto o carcinoma hepatocelular ocorre primariamente em crianças maiores de 10 anos. Conforme estatísticas americanas, a incidência de tumores de fígado é maior no sexo masculino (proporção = 1:2); para crianças abaixo de 15 anos, e um pouco maior em crianças de pele branca. Enquanto a incidência de carcinomas hepatocelulares vem diminuindo no decorrer do tempo (de 0,6 em 1975 para 0,2 em 1995, para crianças com menos de 15 anos, e de 0,7 para 0,4 em crianças com menos de 20 anos, a incidência do hepatoblastoma vem aumentando, de 0,8 em 1975 a 1,5 em 1995 e; 0,6 a 1,1 respectivamente.
Quais são os sintomas?
Geralmente, não existem sinais e sintomas, precocemente, do câncer do fígado, ocorrendo somente quando a doença já está na fase avançada. Os principais sintomas identificados são: dor abdominal; perda de peso; diminuição de apetite; náusea; febre; icterícia (pele e mucosas amareladas); aumento do volume abdominal; mal-estar generalizado; inchaço nas pernas e massa palpável no abdome. De fato, estes sinais e sintomas podem ser relacionados, também, com várias outras doenças benignas. Normalmente, o médico só passa a considerar o câncer de fígado como hipótese diagnóstica quando os sintomas persistem por muito tempo, ou então, pioram abruptamente.
Qual é a causa da doença?
As causas do tumor de fígado não estão ainda bem esclarecidas. Existem informações suspeitas, contudo, vinculadas ao tipo do tumor. O desenvolvimento do hepatoblastoma, por exemplo, está associado a mutações de um gene. Crianças com famílias cujos membros carregam o gene relacionado com certos tipos de câncer de cólon podem ter um risco maior para desenvolver um hepatoblastoma. Um estudo científico encontrou evidências que podem associar o hepatoblastoma com a exposição da mãe, durante a gestação, a metais, produtos com base de petróleo e tintas; e a exposição do pai com metais. Existem outras indicações que associam a doença com a síndrome de alcoolismo fetal, utilização de contraceptivos orais durante gestação, tratamento hormonal da mãe para esterilidade e transplante de fígado da mãe com tratamento imunosupressor durante a gestação. Um estudo japonês observou que 50% das crianças com hepatoblastoma nasceram com peso muito baixo (menos de 1 kg). Isso pode indicar que prematuridade o seu tratamento têm um papel no desenvolvimento do hepatoblastoma. Pode até explicar o aumento de casos nos Estados Unidos onde o avanço no tratamento de crianças prematuras tem melhorado muito o nível de sobrevivência infantil.
As crianças infectadas com hepatite B ou C (infecções virais do fígado) têm tendência maior para desenvolver um carcinoma hepatocelular. A imunização para prevenir hepatite B e/ou C pode ajudar a diminuir a chance de desenvolver este tipo de câncer. Foi observado que a incidência infantil de carcinoma hepatocelular está alta justamente naquelas localizações do mundo onde a incidência adulta dessa mesma doença também está alta. A infecção crônica de hepatite parece ser um fator de risco emergente nestas localizações.
Pode ser detectado cedo?
Um diagnóstico precoce do tumor de fígado, devido à ausência de sinais e sintomas iniciais, é quase impossível. Geralmente, um diagnóstico precoce só é feito por meio de exames, realizados por outras razões. Os testes de função hepática comumente estão alterados, mas podem estar desta forma por conta de outras patologias.
Qual é a forma de diagnóstico do tumor?
Se a criança tiver sintomas, provavelmente o médico solicitará um exame radiológico especial, ou exame do fígado por tomografia computadorizada. Se uma massa foi encontrada no exame, uma biópsia será providenciada utilizando uma agulha especial para retirar um fragmento para inspeção.
Qual é o tratamento para o tumor de fígado?
O tratamento padrão depende do tipo de tumor e da sua extensão. Um tumor localizado apenas no fígado, seja hepatoblastoma ou carcinoma hepatocelular, será tratado por cirurgia, normalmente seguido por quimioterapia para matar qualquer célula cancerosa que tenha permanecido. Se o tumor já evoluiu demais e invadiu os linfonodos ou outras partes do corpo, o tratamento inicial será a quimioterapia, para reduzir o tamanho do tumor, seguido por cirurgia para sua retirada e, possivelmente, de tumores metatásticos localizados em outras partes do corpo, por exemplo, os pulmões. Depois da cirurgia, quimioterapia e radioterapia adjuvante serão iniciadas para matar as células cancerosas restantes. Dependendo do tamanho do tumor, pode ser recomendado um transplante de fígado. Hoje, o médico pode injetar substâncias quimioterápicas diretamente nos vasos sanguíneos ligados ao fígado, além de substâncias para bloquear ou atrasar o fluxo do sangue (terapia de quimioembolização) para permitir máxima absorção.
Com este artigo, finalizamos a série sobre tipos de câncer na infância e adolescência. Como observado no decorrer dos artigos, o papel dos pais é primordial no que se refere à percepção de possíveis mudanças no corpo do filho que demonstram alguma anormalidade. Ao primeiro sinal, não esperar para levar o seu filho ao médico – é melhor errar por excesso do que o seu filho sofrer as conseqüências posteriores. Sabe-se que a incidência de câncer na população de menores de 20 anos é bastante alta. Estima-se que um em cada 300 meninos vai adquirir a doença e uma em cada 333 meninas, também. Este quadro pode mudar, mas somente com o esforço de todos.
Fonte:
National Cancer Institute: SEER Pediatric Monograph http://www.seer.cancer.gov/Publications , CancerNet http://www.cancernet.nci.nih.gov e http://andre.sasse.com (textos sobre vários tipos de câncer escritos em português)
Departamento de Controle e Prevenção
Dr. Jaime de Queiroz Lima, médico-chefe do DCP
Dr. James Anthony Falk, Ph.D., assessor do Grupo de Pesquisa
Dr. Carlos Roberto Carvalho Leite, cirurgião oncológico do Hospital do Câncer de Pernambuco
Contato: Isabel Melo/Jacqueline Tavares: fone (81) 3423.2088
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