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GASTRONOMIA
Escolha o vinho da sua ceia

Especialista em vinhos ensina como escolher a melhor bebida e avisa: vinhos

brancos e espumantes podem ser tão sofisticados quanto os tintos secos

BRUNO ALBERTIM

Cena número 1: um dos presentes, ar despretensioso de superioridade, se antecipa e escolhe o vinho do jantar. Cena 2: após a refeição, nem de longe a ‘satisfação’ dos convivas combina com a enxurrada de adjetivos que o nosso enólogo de plantão disparou sobre a bebida. Depois de ciclos como os do (hoje) mal falado vinho da garrafa azul, qualquer bebebor mais atento já percebeu que as prateleiras pernambucanas oferecem centenas de rótulos, vários deles importados da Europa e dos EUA pelas redes varejistas. Com a proximidade dos clássicos jantares familiares de final de ano, um pouco de conhecimento sobre a equação vinhos versus acompanhamentos é interessante para quem não pretende ficar à mercê dos ‘experts’ no assunto.

“Existe muito tabu ao redor do vinho. O consumidor ainda precisa entender o que bebe. Há gostos para vários tipos e bolsos”, diz o enólogo Pedro Ernesto, formado pela escola superior de Libonaire, em Bordeaux, na França, e consultor da rede Bompreço e de vinícolas do Rio Grande do Sul. “O brasileiro ainda é muito modista. Não é preciso tomar tinto seco porque todos tomam. Há brancos e doces, ao contrário do que se pensa, muito sofisticados”, diz. Os vinhos de sobremesa, feitos com uvas de colheita tardia, típicas da França, são alguns desses exemplos.

O coringa da temporada, sem dúvida, é o espumante, aquele vinho gaseificado que todos chamam erroneamente de champanhe (só quem pode usar a denominação são os produtores de Champagne, na França). “Ele pode transitar da entrada à sobremesa sem problemas, especialmente o brut, sempre gelado entre 4 e 6 graus”, diz Ernesto. Os do tipo doce ou demi-sec, cujos teores de açúcar variam de 50% a 30% , são doces o suficiente para terem seus sabores e aromas estragados por temperos fortes. Há bons produtos até por volta de R$ 20.

Vale ainda a regra: peixes, aves e carnes brancas, mais suaves, pedem brancos, que não comprometem o paladar. Grelhados e carnes, conforme a força de seus condimentos, seguem uma escala que vai dos tintos mais novos aos tintos mais velhos e encorpados. Não é uma mera questão de etiqueta. “Todas as uvas possuem o ácido tânico que lhes dá pigmentação. Os tintos, portanto, possuem mais da substância, que, em contato com o iodo do mar, provocar um sabor de ferrugem”. Para bacalhau, crustáceos, salmão e outros peixes de águas profundas, portanto, recomendam-se os tintos e encorpados. A ordem de servir as bebidas também deve seguir dos mais claros e suaves para os mais velhos e fortes. Para se atestar a qualidade da bebida, o Brasil (assim como os Estados Unidos) ainda não possui um indicador bastante comum na Europa, o D.O. (Denominação de Origem). Na Itália, por exemplo, vinhos com essa denominação exposta no rótulo indicam que eles seguiram rigorosos critérios de fermentação e produção, típicos da região vinícola em que foram produzidos. Uma última dica para fãs recentes de vinho: “Para servi-lo, é interessante abrir a garrafa em até 20 minutos antes para que ele oxigene-se e possa apresentar o melhor de seu aroma e sabor”, diz Ernesto.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.12.2001
Domingo