Sistema imunológico sofre com o elevado nível de estresse. O cortisol, substância liberada quando corpo está tenso, contribui para depressão, pressão alta, úlcera e altera a função intestinal
AGÊNCIA GLOBO
Depois que as ameaças de ataques terroristas transformaram bactérias e vírus em figuras de pesadelo para milhões de pessoas, a melhor solução para controlar o pânico é fortalecer o sistema imunológico. Segundo médicos, a receita é simples. Basta controlar o estresse, fazer dieta saudável, tomar as vacinas disponíveis e evitar a automedicação, principalmente com antibióticos.
A médica Jane Corona, especialista em nutrologia e autora de Fadiga Crônica (DP&A Editora), ensina que o primeiro passo para reforçar as defesas do organismo é prevenir o estresse. O clima de medo e a sensação de insegurança pioram a situação. Além de debilitarem o sistema imune, levam à hipertensão arterial e à depressão. “Hormônios como o cortisol, liberados sob estresse, alteram a resposta do sistema imunológico. Ele contribui para depressão, retenção de líquidos, pressão alta, úlcera e alteração da função intestinal. Até o esvaziamento do estômago torna-se lento”, diz Jane.
O estresse sob controle é apenas uma das armas contra as ameaças de terror biológico. Jane explica que a alimentação balanceada aumenta a barreira de proteção contra germes nocivos. E recomenda, por exemplo, maior consumo de lactobacilos, encontrados em produtos como iogurtes.
Os lactobacilos produzem um antibiótico natural, a acidofilina. Ela tem ação contra germes que podem estar em alimentos. Outro tijolo importante para a barreira imunológica são as vitaminas do grupo B, que desintoxicam o fígado.
RESISTÊNCIA – A piridoxina ou B6, por exemplo, melhora a imunidade celular. Suas principais fontes são carnes e grãos integrais. Já os idosos tendem a sofrer deficiência de B12. Isso pode causar fraqueza muscular, fadiga e até depressão. Essa vitamina é encontrada em peixes, laticínios, miúdos, ovos e carnes.
Jane lembra outros nutrientes essenciais para o sistema imune, como os suplementos de glutationa (substância semelhante a um aminoácido, produzida pelo fígado) e o selênio, que, como o zinco, fortalecem as células. “A deficiência de selênio pode predispor à infecção por cândida, fungo normalmente encontrado no organismo”, alerta Jane.
As melhores fontes de selênio são brócolis, couve, aipo, pepino, cebola, alho, grãos, peixes e miúdos. Já o zinco, essencial para as enzimas e os hormônios, é facilmente encontrado nos produtos integrais, nos frutos do mar e nas carnes. Não se deve esquecer da cisteína, que protege contra toxinas, e está presente em ovos, carnes, laticínios e cereais. Jane receita ainda ervas, como chá verde e equinácea.“O chá verde é rico em catequinas, potente antioxidante. Já a equinácea aumenta a ação dos linfócitos, células de defesa, e regenera tecidos”, diz a médica.
Também a receita do imunologista Mário Geller para fortalecer as defesas do organismo inclui exercícios físicos, controle do estresse e dieta balanceada. “As pessoas comem pouco e gastam muito, inclusive nas classes mais favorecidas. A dieta para fortalecer o sistema imunológico deve ser rica em proteínas. Os anticorpos são proteínas.
Ele alerta ainda para o perigo da exposição excessiva ao sol. “Esse hábito destrói as células de Langerhans presentes na pele e que atuam como barreira de proteção”, afirma Geller.
Segundo Geller, um das maiores ameaças do terrorismo biológico seria um ataque com o vírus da varíola, que está praticamente extinta no mundo. “Ao contrário do antraz, a varíola é altamente contagiosa. Hoje já não se faz vacinação e nem existe estoque para prevenir uma possível epidemia, mas acho que as pessoas não precisam se preocupar”, diz Geller.
O medo do bioterrorismo está em toda parte. Nos Estados Unidos, algumas pessoas estão estocando antibióticos para prevenir a contaminação com a bactéria antraz. Mas os médicos dizem que isso é um erro. ”O uso errado ou o excesso de antibióticos podem tornar os germes resistentes”, alerta o infectologista Edmilson Migowski.
A médica Jane Corona diz que o uso constante de antibióticos elimina bactérias que causam doenças, mas também todas que vivem na pele, na boca e no intestino, que atuam nas defesas naturais. “Quando os antibióticos são usados para matar as bactérias, permitem que as mais resistentes proliferem. Por exemplo, problemas intestinais pioram após o tratamento com essa droga”, diz.
Segundo Jane, quem mais gosta de antibióticos são os fungos. Quando se eliminam as bactérias intestinais, eles ficam livres para se reproduzir. Um desses fungos é a Candida albicans, que normalmente habita o intestino em harmonia com a flora bacteriana. O fungo também é encontrado na vagina.