Os combatentes da Al-Qaeda decidiram ontem se render às forças locais afegãs. A rendição ocorre depois de dois meses do início dos bombardeios norte-americanos
JALALABAD, Afeganistão – Com a frase “Acabou!”, o comandante anti-Taleban, Mohamed Zaman, anunciou ontem que os combatentes da organização terrorista Al-Qaeda, que resistiam nas montanhas de Tora Bora, no leste do Afeganistão, tinham decidido render-se. Mas até o fechamento desta edição não havia qualquer confirmação sobre a captura do líder da organização, o milionário saudita Osama Bin Laden, principal objetivo da campanha antiterror liderada pelos EUA no país.
“Todos os membros da Al-Qaeda descerão das montanhas às 8h (1h30 em Brasília) de amanhã (hoje), abandonarão suas grutas e cavernas e entregarão suas armas incondicionalmente”, afirmou Zaman.
Embora na véspera Zaman tivesse afirmado que havia 90% de possibilidade de Bin Laden estar escondido em Tora Bora, ontem a expectativa era outra. “Até agora, eu estava seguro de que ele estava aqui (em Tora Bora). Mas hoje já não posso mais dizer isso com a mesma segurança”, declarou Zaman a jornalistas estrangeiros. “Não sei nem mesmo se ele (Bin Laden) está vivo ou morto”, prosseguiu o comandante.
Segundo Zaman, que é o chefe militar da província de Nangarhar, os integrantes da Al-Qaeda concordaram em se render depois de negociações entre um dos principais comandantes militares da organização terrorista, Abdul Kuduz, e outro chefe militar anti-Taleban, Hazrat Ali.
Os combatentes da organização terrorista que se entregarem, de acordo com Zaman, serão postos sob a custódia da ONU. “Conversei por rádio com alguns membros da Al-Qaeda e perguntei se havia mulheres e crianças entre eles. Responderam que só havia homens jovens”, disse. Até a intensificação dos avanços sobre Tora Bora, há nove dias, os combatentes subordinados a Bin Laden – estrangeiros, na maioria – prometiam lutar até a morte.
Apesar das negociações, no entanto, nem todas as facções mujahedines (combatentes islâmicos) aliadas aos EUA que combatem em Tora Bora acreditam que a Al-Qaeda respeitará o compromisso de rendição. “Voltaremos a nos reunir amanhã (hoje) de manhã. Se não houver entrega das armas, atacaremos”, disse Afta Gul, um porta-voz da facção pashtun liderada por Mohamed Zahir.