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AFEGANISTÃO VI
Porta-aviões francês tem destino incerto

REALI JÚNIOR
Agência Estado

PARIS – Pode ter sido pura coincidência, mas no mesmo momento em que se anunciava a queda do último reduto dos talebans em Tora Bora, no Afeganistão, a TV francesa noticiava a passagem do imponente porta-aviões nuclear francês, o Charles de Gaulle, pelo Canal de Suez, navegando na direção do Oceano Índico. Com 2.000 homens a bordo, a missão dele é cooperar na operação norte-americana para impedir a fuga, por mar, de Osama bin Laden, chefe da rede terrorista Al-Qaeda.

Os acontecimentos no Afeganistão mostram que o fim da guerra está sendo antecipado e tudo indica que o porta-aviões e as unidades que o acompanham podem chegar atrasadas no teatro de operações. Por isso, há suspeita de que sua real missão não se desenvolva no Afeganistão, mas numa nova frente da guerra contra o terrorismo: a Somália, na África. A missão oficial da embarcação parece mais diplomática e política do que militar. Sua presença serve mais para revelar o apoio político francês à luta contra o terrorismo internacional, já que as hesitações políticas francesas nesses três meses nem sempre foram do agrado dos EUA. É bem provável que nessas últimas horas, Washington tenha adiantado a seus aliados europeus argumentos para justificar a ampliação da luta antiterror. Ainda ontem, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, reuniu-se com o presidente Jacques Chirac, fato que contribui para aumentar rumores sobre a abertura de nova frente de guerra.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira