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ASSEMBLÉIA
Contas de Arraes em nova polêmica

Governistas insistem em tirar a operação dos precatórios do balanço que será votado hoje pela Assembléia. Outra alternativa é a aprovação das contas “com ressalvas”

A bancada aliada ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), na Assembléia Legislativa, lança hoje sua última cartada para tentar reprovar as contas de 1996 da gestão do ex-governador Miguel Arraes (PSB). Como a prestação feita pelo último Governo socialista (95/98) é, no geral, acatada por grande número de parlamentares, independentemente da orientação das bancadas, a estratégia admitida por alguns governistas é destacar do balanço a operação dos precatórios. Dessa forma, o polêmico episódio da venda de títulos públicos para o pagamento de dívidas do Estado poderia ser usado como artifício para comprometer a aprovação das contas de Arraes.

“Como alguns colegas de bloco já disseram que aprovariam as contas, no geral, sem levar em consideração os precatórios, nós vamos procurar mecanismos jurídicos para votar, separadamente, essa questão. Acredito que não há nenhum absurdo nisso”, assinalou o líder da bancada do PFL, deputado Augusto Coutinho.

Apesar do desmembramento não estar previsto no regimento interno da Assembléia, os governistas farão o apelo à mesa diretora, pouco antes da matéria ser apreciada em plenário. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Romário Dias (PFL), adiantou, entretanto, que possivelmente adotará o sistema de “voto com ressalva”.

“O máximo que poderá acontecer é o deputado adquirir o direito de fazer um destaque, um registro, no momento em que estiver votando. Se um colega, por exemplo, for a favor das contas de 1996, mas for contrário aos precatórios e optar pelo voto favorável ao ex-governador (Miguel Arraes), ele poderá registrar essa observação na ata de votação”, explicou Romário.

O medo dos aliados ao Palácio de perder a batalha dos precatórios – principal artilharia usada contra Arraes na campanha de 98 – aumentou com a solidariedade, já declarada, de deputados jarbistas à bancada de oposição. O temor é justificado pelo fato de alguns parlamentares da base aliada manterem ligações políticas com o ex-governador.

Para serem aprovadas, as contas da gestão Arraes de 96, assim como as de 98, – que serão apreciadas amanhã – precisam obter maioria simples na Casa, o que significa metade mais um dos presentes.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.12.2001
Quarta-feira