A apenas 36 quilômetros do Recife, município reserva surpresas pouco conhecidas até mesmo para os vizinhos mais próximos
por JÚLIA NOGUEIRA
Um litoral exuberante, com nove praias distribuídas ao longo de 24 quilômetros de extensão. Mar de águas claras e mornas, areia fina, praias tranqüilas e de mar aberto, para agradar a todos os gostos. Una-se a isso manguezais, vegetação de Mata Atlântica, monumentos históricos e culinária típica.
Para encontrar o resultado dessa mistura não é preciso viajar longas distâncias. Apenas 36 quilômetros e cerca de 45 minutos de estrada separam o Recife do município do Cabo de Santo Agostinho, que reserva surpresas pouco conhecidas até mesmo para os vizinhos mais próximos.
As praias do Paiva, Itapuama, Xaréu, Enseada dos Corais, Paraíso, Suape, Gaibu, Calhetas e Cabo de Santo Agostinho, que dá nome à cidade, compõem o litoral cabense e oferecem condições de mergulho, pesca e esportes náuticos, além de piscinas naturais e mar aberto para a prática de surfe. Formações rochosas de origem vulcânica também fazem parte do cenário.
A pequena Baía de Calhetas, situada no lado norte do Cabo de Santo Agostinho está encravada entre coqueiros, rochas, morros e é considerada uma das mais belas do Brasil. Gaibu (vale do olho d’água, em tupi) foi a primeira nucleação urbana à beira mar do país e hoje é a praia mais badalada e com melhor infra-estrutura turística do Cabo, com hotéis, pousadas, bares, restaurantes e lojinhas.
A Praia de Paraíso, a menor de todas, tem maré baixa e mirantes, de onde se pode observar a Baía de Suape. A partir da Praia de Suape, é possível visitar, de barco, as ilhas do Francês, das Cobras, Tatuoca, Barreiro e Canas, nos Rios Massangana e Tatuoca, de águas abrigadas pelos manguezais. A paisagem natural divide espaço com as instalações do Complexo Portuário de Suape.
DESCOBRIMENTO - A história do Cabo de Santo Agostinho se confunde com a do Brasil. A cidade abriga alguns pontos turísticos que marcam a chegada do navegador espanhol Vicente Yáñes Pinzón e a influência que holandeses e portugueses exerceram sobre a arquitetura e os costumes do País.
Um desses pontos é o próprio Cabo de Santo Agostinho, inicialmente chamado de Cabo de Santa Maria de La Consolacíon, foi o primeiro sinal de terra avistado por Pinzón quando chegou ao Brasil no dia 26 de janeiro de 1500, três meses antes da chegada de Cabral em Porto Seguro (BA).
Além do valor histórico, o Cabo também se destaca geologicamente. Estudiosos acreditam que a área exerceu o papel de uma ‘dobradiça continental’, sendo o último ponto de ruptura entre África e América, que antes formavam um único e gigantesco continente.
Na Praia de Nazaré, a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, uma construção metade holandesa metade portuguesa, datada de 1679, destaca-se por ter sido erguida no local onde antes era um forte. Ao lado, estão as ruínas do Convento Carmelita, do século 17, e um cemitério datado de 1871. A igreja e o convento foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Mais adiante, ainda é possível ver o que restou da antiga casa do faroleiro. A construção serviu de moradia para Dona Margarida, neta do antigo faroleiro, que herdou as funções do avô. Hoje ela é a única mulher do Brasil que exerce a profissão.
AVENTURA – Mas as atrações do município vão além dos passeios de barco e da visitação dos pontos históricos. Para sair do lugar-comum, os mais aventureiros podem aderir ao turismo ecológico. O Cabo de Santo Agostinho é a cidade da Região Metropolitana com maior número de reservas ambientais. São três, além do Parque Metropolitano Armando Holanda Cavalcanti.
A grande atração são as trilhas em matas compostas por resquícios de Mata Atlântica, como a Mata do Zumbi. Bastante rica em espécies da flora brasileira, a mata ainda brinda os visitantes com a bela visão de uma lagoa de águas escuras e profundas.
Um dia de passeio pode acabar em um dos dois “banhos de lama” da cidade. São reservas de argila de coloração branca (caulim) que, segundo alguns, têm propriedades terapêuticas. O acesso é feito pela estrada de Itapuama. Pequenos morros de argila servem de escorregadores naturais e, independente de idade, a brincadeira pode ser muito divertida. Foi em um desses cenários naturais que o cantor Chico Science gravou o clipe Da Lama ao Caos.
O passeio fica incompleto sem a degustação dos pratos típicos. O carro-chefe são os crustáceos. Entre as delícias, os mais variados pratos à base de aratu, peixe e mariscos, além da Cataplana à Pinzón, uma espécie de sinfonia marítima servida na cataplana, uma panela medieval de cobre, da época dos navegadores. Quem prova não esquece. (J.N.)