Ministério das Minas e Energia não descarta a possibilidade, embora não exista nada em estudo
O Brasil é o único País do mundo que não comercializa carros de passeio movidos a diesel. A proibição é antiga, mas é possível que a Portaria 16/93, do antigo Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) – que veta a venda de veículos a diesel no mercado interno, seja revogada. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Minas e Energia “pode haver a abertura, mas não existe nada em estudo no momento.”
A proibição vem desde o período da crise do petróleo, na década de 70, quando o Governo passou a subsidiar o diesel, liberando-o apenas para o transporte rodoviário de cargas, agrícola, picapes, utilitários e veículos com peso superior a uma tonelada. A outra dificuldade era a de produção interna desse combustível pela Petrobras, que até o fim deste ano detém a exclusividade do mercado brasileiro. Com as novas regras da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que permite às demais distribuidoras importar os derivados de petróleo a partir de janeiro de 2002, abre-se a possibilidade de, no futuro, o País vir a comercializar carros de passeio com motores a diesel.
“Se o carro de passeio a diesel for liberado, a Volks, é claro, teria interesse em comercializar o produto”, afirma o gerente de laboratório de emissões e teste de motores da montadora, Henry Joseph Júnior. “Mas antes era preciso analisar em que faixa de impostos os carros a diesel ficariam”, ressalta o técnico.
A menor motorização a diesel é a 1.4 litro, o que foge da faixa de carros populares (75% a 80% dos modelos vendidos no Brasil) – os que possuem o benefício tributário. “Quando fazemos o veículo só para exportar perdemos em escala. Se fossem comercializados no Brasil, com certeza os nossos preços seriam menores”, afirma Henry Júnior.
Embora não venda internamente, a indústria automobilística nacional produz carros de passeio a diesel. Os modelos são comercializados, basicamente, nos países da América Latina. A Volks exporta anualmente 50 mil unidades, entre as versões: Gol, Saveiro, Parati, Golf e Polo Classic com motorizações entre 1.6 e 1.9 litro. Os motores a diesel da montadora são produzidos na fábrica de São Carlos, em São Paulo.
A Fiat também produz no Brasil o Fiorino Furgão, Marea, Marea Weekend e Brava movidos a diesel. Segundo o assessor técnico Carlos Henrique Ferreira, se o Governo rever a proibição, a montadora poderia destinar alguns modelos para o mercado nacional. “A tecnologia nós já temos e seria mais uma opção para o mercado”, diz.
VALE A PENA? – O modelo a diesel é mais caro do que o movido a gasolina. A diferença de preço chega a US$ 1,5 mil, no caso do Marea vendido na Europa. A diferença de custo deve-se à tecnologia empregada na fabricação do motor a diesel, que utiliza um outro ciclo de combustão, obtido por compressão e não por faísca de vela.
Para quem roda pouco, a relação entre custo e benefício é pequena. Mas em compensação, são veículos que apresentam poucos problemas de manutenção e maior durabilidade. Além disso, outra vantagem é o gasto com combustível, já que consomem menos que os carros movidos a gasolina. O Marea Turbodiesel 1.9 litro, por exemplo, faz 13 quilômetros por litro (km/l) na cidade e 21,74 km/l na estrada. Já o consumo do modelo a gasolina é de 9,2 km/l e 13,8 km/l, respectivamente.