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COMEMORAÇÃO III
Torcida faz carnaval fora de época no Recife

Da união de duas cores e sete letras mágicas nasceu um carnaval em vermelho e branco no Recife, em pleno mês de julho, com a carreata do Náutico, campeão pernambucano, tomando conta das principais ruas do centro do Recife. A festa começou ao meio-dia, quando o governador Jarbas Vasconcelos entregou a taça, que leva seu nome, ao capitão da equipe alvirrubra, Wallace, no Palácio do Campo das Princesas.

A comemoração continuou pelo Centro e terminou na sede alvirrubra, na Avenida Conselheiro Rosa e Silva. Ao longo do trajeto, cumprido em uma hora e meia, os jogadores, no carro do Corpo de Bombeiros, eram saudados pelas pessoas, das calçadas, sacadas e janelas dos edifícios, das lojas, pontes e até dos ônibus.

Alguns torcedores alvirrubros desciam dos carros para desfilar com suas bandeiras, camisas e faixas pelas ruas, como se estivessem em uma passarela, com muita alegria e orgulho ao gritar: “É campeão!”, após 11 anos de brados reprimidos e entalados na garganta.

Outros, mais irreverentes, estavam munidos de seu ‘kit praia’ (óculos e snorkel) e, claro, muita natação para ironizar os rivais. Ainda havia os que cumpriam o trajeto de bicicleta. É o caso de Clementino de Souza. “Vim de bicicleta para acompanhar, pois tudo vale a pena pelo meu Náutico campeão”, relatou, emocionado. Já o ambulante Raimundo Lopes fazia o percurso a pé. “Não é promessa, é amor mesmo”, declarou, todo prosa.

Quando os campeões chegaram à Conde da Boa Vista foram recepcionados com uma chuva de papel picado. Mas, sem dúvida, o ponto alto foi a recepção da torcida na sede do clube. Todos gritavam em uníssono o nome dos jogadores que iam descendo do caminhão. Depois, os atletas eram carregados pelos torcedores.

Ao brado de “fica, Muricy!”, o treinador foi convocado a permanecer no segundo semestre, para o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. O artilheiro Kuki, maior ídolo da temporada, foi carregado pelo ‘mar de torcedores’ como se estivesse nadando sobre a água. “Kuki, atador”, era o grito que ecoava pelos Aflitos. Até o presidente André Campos virou ídolo da torcida, dando muitos autógrafos. “Eu já tinha dado alguns ao longo da vida, mas desta vez foi demais”, brincou ele.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.07.2001
Sexta-feira