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COMPORTAMENTO ESTRESSE INFANTIL Acúmulo de atividades, cobrança excessiva, separação dos pais: vários fatores podem levar a criança a desenvolver um problemas ligado apenas aos adultos por LUIZA MODESTO
Vale ressaltar que o estresse não é um estado desconhecido para os bebês. Aquele choro desesperado no berço, quando está molhado ou com fome, nada mais é do que um indício de estresse, lembra a psicóloga infantil Dulce Figueiredo. Nesse estágio, entretanto, ele não é motivo de preocupação. Assim como também não o é em outras situações, como o primeiro dia de escola ou a chegada do irmãozinho. Nesses casos, ele pode ser positivo, pois é uma resposta natural que acontece durante o processo de amadurecimento infantil. O estresse é um dos componentes naturais da vida de qualquer criança, avisa a psicóloga Cynthia E. Johnson, da Universidade da Carolina do Norte, em seu artigo How to Deal with Stress (Como Lidar com o Estresse), disponível no site www.fww.org. O quadro se complica quando os problemas familiares tornam-se uma constante. Essa realidade leva as crianças a experimentarem situações conflitantes além do que são capazes de absorver, levando-as ao estresse. Os efeitos desse mal moderno são muitos. Ele pode causar insônia, provocar suor frio nas mãos e pés, atrapalhar a concentração nos estudos, gerar agressividade, interferir no humor, entre outros sintomas. Juan Felipe Loreto Linhares que o diga. Com apenas 9 anos, ele já sentiu os efeitos desconfortáveis desse mal.. Antes dele aparecer, Juan era um menino extrovertido, boa praça e de peso equilibrado. Depois do estresse, ele se irritava facilmente; seu humor era instável; comia além do limite e se isolava. Por último, na tentativa de chamar a atenção dos pais para sua aflição, o garoto resolveu danificar os eletrodomésticos da casa. Ele a arranhou a televisão novinha de ponta a ponta. O mesmo fez com a geladeira. O seu objetivo era claro: chamar a minha atenção e a do seu pai, mostrando que alguma coisa estava errada com ele, conta a jornalista Gorete Linhares, professora da Universidade Federal de Pernambuco. Detalhe: ela e o marido estavam em processo de separação. A princípio, Gorete tentou resolver o problema sozinha, mas, como não obtinha sucesso, buscou ajuda de um profissional. Ele continuava sinalizando que não estava bem, então decidi procurar orientação de um psicoterapeuta, comenta. CRESCEM OS NÚMEROS A psicóloga infantil Dulce Figueiredo informa que o número de crianças apresentando um quadro similar ao de Juan tem crescido bastante nos últimos tempos. Na sua opinião, o pouco tempo destinado às brincadeiras típicas do mundo-de-faz-de-conta contribui para isso. No brincar, a criança tem possibilidade de resolver seus conflitos e dificuldades, de exercer sua livre criatividade no espaço da fantasia e da ficção. Nele, o final é sempre feliz, argumenta Dulce. O lugar das brincadeiras lúdicas, lembra a psicóloga, foi tomado pelas atividades pós-escola, como inglês, natação, entre outras. Normalmente, a iniciativa é sempre dos pais, restando à criança dar de conta da tarefa para não frustá-los, não decepcioná-los. Isso também pode ser uma das causas do estresse infantil, alerta. O psicólogo Sílvio Romero Melo tem a mesma opinião. Culpando a sociedade contemporânea, Sílvio diz que é preciso os pais saberem dosar a quantidade de atividades extra-escola. O medo de deixarem seus filhos com babás ou muito tempo em frente à televisão, eles sobrecarregam a agenda dos filhos, comenta. Seguindo a mesma lógica de Dulce Figueiredo, ele critica a troca das brincadeiras lúdicas pelas aulas extracurriculares. O ludismo é um aspecto extremamente importante para o bom desenvolvimento da criança, enfatiza. Maria Eliete Barros, mãe de Beatriz, 8 anos, concorda com Dulce e Sílvio. Eu noto que minha filha não abre mão das brincadeiras com suas bonecas. Beatriz sempre fica contente nas tardes livres, conta. A cobrança exagerada que os pais, muitas vezes, impõem sobre os filhos também pode gerar estresse. Pede-se comportamentos das crianças que não são compatíveis com a sua idade. Espera-se sempre muito dos filhos em todos os campos. |
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