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COMPORTAMENTO III
Período integral escolar pode ser prejudicial

A vida moderna tem suas vantagens, disso ninguém duvida. Mas as exigências são muitas e inevitáveis. Por causa delas, muitas mães têm que prolongar o período dos filhos fora de casa, enquanto cumprem a necessária jornada de trabalho, deixando-os um período extra na escola todas as tardes ou em um hotelzinho. Resolve-se um problema, mas pode-se criar outro, já que uma vida atribulada, sem tempo livre para exercitar o lado lúdico, pode comprometer o equilíbrio psico-biológico da criança.

A funcionária da Caixa Econômica, Leide Vitorino, como outras mães, não teve outra opção, mas deixar seus filhos num hotelzinho tempo integral desde cedo. Durante cinco anos, portanto, João Guilherme , 7 anos, e Danilo César, 6, experimentaram dois períodos longe de casa. No horário vespertino, quando entraram na idade escolar, participavam de atividades recreativas e recebiam ajuda nas tarefas. Leide, aliás, crê que esta era a saída mais saudável. Uma vez que, estando a dupla em casa, sem a sua presença, eles inevitavelmente passam a maior parte do tempo vendo televisão.

“Quando eles estavam no hotelzinho, eu me sentia mais tranqüila porque lá se divertiam, tinham quem os ajudasse nas tarefas e, se algum problema acontecesse, eu sabia que seriam bem assistidos”, comenta. Ela tem suas razões para lamentar o término do sistema integral. A mesma idéia não é compartilhada por seus filhos. Eles, ao contrário, gostaram da mudança. “Eu percebi que João e Danilo estavam sentindo necessidade de seu espaço doméstico, além do mais, sai pesado manter dois num sistema integral”, conta, acrescentando que o grande problema agora é chegar em casa, exausta do trabalho, e acompanhar as tarefas escolares. “Eu estou cansada, eles também, então, o rendimento não é muito legal”, desabafa.

SEGUNDO TURNO – Para a psico-pedagoga da escola e hotelzinho Baby Mel, Lídia Loreto, o segredo para tornar o segundo turno na escola agradável, sem cansar a criança, o ideal é ter uma equipe de arte-educadores capaz de liderar com carinho e dinamismo, fazendo a criança se sentir fora da rotina normal da escola. “A heterogenidade dos grupos e o fato delas não serem cobradas como em sala de aula são dois fatores também importantes”, acredita a especialista. (L.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 14.01.2001
Domingo