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RELATÓRIO
Pernambuco tem 12 reservas ecológicas em situação crítica

Redução de vegetação e situação fundiária irregular são os principais problemas encontrados nas unidades de conservação

Doze reservas ecológicas estaduais encontram-se em estado crítico de conservação, revela diagnóstico feito pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (Sectma). O levantamento, realizado de junho a dezembro do ano passado, indicou como principais problemas a redução da vegetação e a situação fundiária irregular. “Essas unidades de conservação estão sujeitas a invasões, retirada permanente de madeira e degradação do entorno”, afirma o biólogo Carlos Alberto Mergulhão, um dos autores do estudo.

O diagnóstico estabeleceu três níveis de estado de conservação para as 40 reservas ecológicas, criadas em 1987, pela lei estadual 9.989, e distribuídas no Grande Recife. Apenas duas foram enquadradas no nível 1, o Parque de Dois Irmãos e a Estação Ecológica de Caetés. “Ambas já foram redefinidas e implementadas, necessitando agora apenas de melhorias na infra-estrutura”, explica Mergulhão,que é consultor da Sectma.

No segundo nível, destinado às reservas com características naturais extraordinárias e que exigem cuidados especiais de proteção, foram classificadas 26 unidades de conservação. “As enquadradas nesse nível apresentam relativo estado de conservação”, diz Mergulhão. Nesse grupo, as mais degradadas são da Mata do Zumbi e a de Duas Lagoas, no Cabo de Santo Agostinho; o Lanço dos Cações, em Itamaracá; e o Engenho Salgadinho, em Jaboatão dos Guararapes.

Já as doze reservas enquadradas no nível três são apontadas pelos técnicos da Sectma como prioridade para investimentos. O estudo chega a recomendar algumas ações para a Mata do Engenho Uchoa, no Recife, como a colocação de uma cerca para evitar que os moradores do entorno joguem lixo no local. Para a Serra do Cotovelo e a Serra do Urucu, é sugerida a ação da fiscalização para coibir o desmatamento. Já as matas do Toró e do Outeiro do Pedro, em São Lourenço da Mata, precisam ter sua área definida, impedindo a constante invasão de trabalhadores rurais sem-terra.

Para realizar o diagnóstico, a equipe analisou documentos e visitou as reservas. Uma das dificuldades enfrentadas foi a ausência de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), com mapas e imagens de satélite digitalizados “Os sistema, no entanto, será fundamental para as ações de acompanhamento e controle das áreas”, avisa Mergulhão.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.03.2001
Quarta-feira