O momento é de expectativa no mercado publicitário nacional. Depois de ensaiar uma recuperação em agosto, que se repetia na primeira semana de setembro, as agências voltam a conviver com a incerteza. A série de atentados que destruiu esta semana símbolos do poderio americano também coloca em xeque as projeções de crescimento para o segundo semestre, que tradicionalmente representa 60% do faturamento do ano.
“Tivemos um começo de ano difícil, com sucessivas crises, mas estávamos retomando o crescimento. Acho que em mais uma semana teremos idéia do que vai acontecer”, disse ontem o presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) e da Ogilvy, Sérgio Amado. Ele participa hoje no Recife da reunião nacional da executiva da entidade, que vai discutir as estratégias que o segmento vai adotar até o final do ano.
Muita calma, paciência e generosas doses de autocontrole estão entre as recomendações. O objetivo? Reforçar a confiança dos anunciantes neste momento difícil e manter, acima de tudo, os investimentos publicitários. “Não há sentido em parar de trabalhar, de produzir e vender, pois o último trimestre do ano é extraordinário. Se pararmos, quem vai vencer é o mal.” Para ele, os formadores de opinião têm um papel fundamental nesse processo e a missão de passar tranqüilidade ao mercado.
Apesar da disposição otimista, o executivo admite que dificilmente o mercado repete em 2001 o desempenho do ano passado, quando movimentou R$ 15 bilhões e cravou um crescimento de 12%. “Estávamos trabalhando com uma margem de crescimento de 1% a 3% que se equipara à dos grandes mercados mundiais, mas agora acredito que se repetirmos o crescimento do ano passado já teremos alcançado um resultado muito bom.”