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COMPORTAMENTO
Silêncio português tinha dez minutos

O jornalista português Duda Guennes, recifense que vive em Lisboa, lembra que os portugueses não são pioneiros apenas nas questões de navegação. Em muitos outros assuntos eles seguiram inovando, alguns até curiosos, como o hábito de prestar homenagem aos mortos ou solidarizar-se com pessoas ou até nações vitimadas por tragédias. Pois o famoso minuto de silêncio - assegura Duda - é uma invenção portuguesa.

Só que começou com dez minutos de silêncio! Foi o que fez a Câmara dos Deputados de Lisboa para prestar homenagem ao nosso barão do Rio Branco, quando de sua morte, em fevereiro de 1912. Depois esse tempo se reduziu para cinco minutos, a Espanha aderiu, depois a França, e, finalmente, toda a Europa, mas com uma drástica redução, que enfim se consolidou em um minuto de silêncio. Quando a fórmula chegou ao Brasil já estava no limite razoável de 60 segundos. Imaginem o Maracanã num dia de clássico ter a paciência de esperar dez minutos. Certamente haveria uma nova tragédia!

Duda lembra ainda que o seqüestro de meios de transporte, pelo menos de repercussão, também foi uma ação pioneira dos portugueses. Tudo começou quando o capitão Henrique Galvão, em 1961, seqüestrou o transatlântico orgulho da marinha mercante portuguesa, o Santa Maria, que aliás aportou no Recife e aqui foi entregue às autoridades portuguesas. Nesse episódio esteve envolvido um jornalista do Recife, o então chefe do arquivo de fotos e textos Eunício Campelo, que aderiu aos revoltosos e seqüestradores do navio, um comando do DRIL, organização que lutava contra a ditadura Salazar. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira