Além do faturamento obtido com a operação dos trens da Malha Nordeste, a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) ganhou, praticamente de bandeja, desde 1999, uma fonte de receita adicional, sem qualquer custo operacional. Interessada em expandir suas operações na Região Nordeste, a empresa de telefonia Intelig alugou a faixa de domínio na qual os trens circulam para instalar seus cabos de fibra óptica, numa área que vai de Propriá, em Sergipe, até Fortaleza, no Ceará. Os valores repassados não são divulgados.
O Ministério dos Transportes autorizou a CFN a vender esse tipo de serviço para a empresa de telefonia no dia 4 de agosto de 1999. Dois dias depois dessa data, o contrato foi publicado no Diário Oficial da União. A negociação teve que ser aprovada pelo Governo pois o contrato de concessão vedava o uso da malha para fins semelhantes.
O contrato da Intelig é feito com a Railnet, um consórcio formado pelas empresas ferroviárias que alugam o espaço ocupado pela ferrovia para fazer a transmissão de dados. No caso da CFN, do total que é pago no contrato, 8% vão para o Governo Federal, que é o dono do ativo (o material rodante e a ferrovia), já que a CFN tem apenas a concessão para a exploração do serviço.
Ainda de acordo com informações do Ministério dos Transportes, dos 8% que são repassados para o Governo, 95% ficam com a RFFSA e 5% vão para a União. O repasse dos recursos é feito pela CFN.
Segundo informações não oficiais, o valor do contrato da CFN gira em torno de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões por ano. O valor não foi confirmado. Apesar da renda adicional, a CFN não está investindo na ferrovia, segundo o presidente do Sindicato dos Ferroviários da Paraíba, Cleófas Brito.
EXPANSÃO – Na primeira fase da obra, foram enterrados dutos com fibra óptica na Linha Tronco Sul, localizada entre a cidade do Cabo, na Mata Sul de Pernambuco, até a cidade de Propriá, em Sergipe, nos limites com a Ferrovia Centro Atlântica (FCA). O trecho tem uma extensão de 570 quilômetros e também passa pelo interior do Estado de Alagoas.
A segundo fase das obras, concluída no ano passado, interligou Pernambuco até o Ceará, passando pela Paraíba. Nesse segundo caso, a ligação via cabos margeou a Linha Troco Norte, que liga Pernambuco ao Ceará, numa extensão de mais de mil quilômetros de trilhos.
Nas estações ferroviárias da CFN, os novos e bem cuidados contêineres com a aparelhagem da Intelig chamam a atenção, pelo contraste com os prédios velhos e por não contarem com uma única menção à operadora de telefonia.