Especialista na área de transportes, o engenheiro José Dias Fernandes sugere que o traçado da Transnordestina seja iniciado em Montes Claros, em Minas Gerais, e vá até Fortaleza, no Ceará, fazendo uma linha um pouco inclinada, que começa no município de Iaçu, na Bahia, e segue até a capital do Ceará, passando por Salgueiro e construindo uma via férrea que passaria pelo interior desses Estados.
“O novo traçado reduziria em 100 quilômetros a distância entre Iaçu e Recife, enquanto a distância entre Iaçu e Fortaleza teria uma diminuição de 1.100 quilômetros”, explicou Fernandes. Isso ocorreria porque o traçado existente na atual ferrovia vai subindo até Fortaleza pelo litoral, representando uma distância maior do que se o traçado fosse pelo interior.
Nesse traçado que ligaria Montes Claros a Fortaleza, o ponto central do recebimento de cargas em Pernambuco seria o município de Salgueiro, a 595 quilômetros do Recife. Naquele município, funcionaria uma grande central de cargas.
Segundo Fernandes, o potencial de cargas dessa ferrovia é de 20 milhões de toneladas de produtos industrializados, por ano, que são consumidos no Nordeste e fabricados no Sul e Sudeste. “São produtos de alto valor agregado que podem pagar um frete desse tipo”, comentou o engenheiro. Essas mercadorias chegam ao Nordeste, utilizando os caminhões que trafegam na BR-101 e na BR-116. Desse total de carga, há estimativas de que 3 milhões a 4 milhões de toneladas de carga fossem destinadas a Salgueiro, para serem redistribuídas.
“A política de transporte no Brasil se baseia no desperdício”, disse Dias. Num trem a diesel, são gastos cinco litros do combustível para transportar mil toneladas de carga num percurso de um quilômetro. Já utilizando o caminhão, são necessários 55 litros do combustível para levar a mesma quantidade de carga num trajeto que tenha a mesma distância.