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Todo peão se transforma em rei em festa de rodeio

por ROSÁRIO DE POMPÉIA

O locutor começa a declamar seus versos rápidos. Bois entram na arena. O público na arquibancada se levanta e grita: “Valeu boi!”. É quase um ritual religioso. Só que a devoção pelo evento vem nas rimas das duplas sertanejas: “Em festa de rodeio, não dá para ficar parado, tem caubói e boiadeiro, e mulher pra todo lado...”. E essa é apenas uma das cenas mais freqüentes nas vaquejadas do interior nordestino que estará a partir da próxima quinta-feira na capital de Pernambuco. Durante quatro dias, Recife respira ‘ares caubóis’, com o Pernambuco Rodeio Festival, que se realiza no Parque de Exposição do Cordeiro.

Pela primeira vez no Estado, a Federação Nacional de Rodeio Completo promove uma de suas etapas no Nordeste. Essa mesma federação é a que organiza em Barretos, São Paulo, o maior rodeio do País.

No Recife, entrarão na arena do Parque do Cordeiro 25 peões de vários estados, entre eles, alguns nomes famosos como Marcelo Souza Cruz, Elton Barbosa e Paulo Alves. “Não sabíamos que existiam peões em Pernambuco. Organizando o rodeio, vi que não é só a vaquejada que encanta os nordestinos. Existe um pequeno reduto de peões no interior”, supreende-se Feliciano Ramos, coordenador do evento.

Quando os portões do parque abrirem na quinta, às 17h, o público terá acesso não somente às demonstrações dos peões e shows. Quem chegar cedo ao evento poderá também conhecer um pouco mais do ‘universo dos caubóis’, com a Expo Country, mostra que traz artigos e roupas típicos do universo de rodeios (ver matéria na página 8). Às 19h, a festa em si se faz oficial com o show pirotécnico programado para a ocasião. E somente então o locutor toma ‘as rédeas’ do rodeio soltando versos bastantes populares nesse tipo de evento: “Bezerro de vaca preta, onça pintada não come, homem que casa com mulher feia, não tem medo de outro homem, homem que casa com mulher bonita corre o risco de levar chifre e passar fome.” É sinal de que a festa vai começar.

Como de praxe, os peões fazem suas oferendas a Nossa Senhora Aparecida. Caubóis desafiam sua força e o equilíbrio em cima do animal, que pesa cerca de 800 quilos. Os saltos e a ira do touro animam a platéia. Esse é o momento de não piscar os olhos, pois cada segundo é um show à parte. Os “anjos da arena”, palhaços que são encarregados de distrair o touro enquanto o peão se levanta depois da queda, divertem o público.

Mas depois de tanta tensão, é momento de tirar o chapéu para os shows da programação musical. Na ‘cidade rodeio’, o primeiro dia da festa faz uma homenagem ao Estado com apresentações de amazonas e de grupos de bumba-meu-boi, caboclinho, maracatu e passistas de frevo. Tudo isso ocorre no palco secundário do evento. Já no palco principal, quem entra em cena é a dupla Chitãozinho e Chororó. Nos dias seguintes, é a vez do pé-de-serra de Silvério Pessoa, do brega-romântico de Roberta Miranda, do mais romântico ainda Fábio Júnior e do sertanejo-meloso de Daniel.

O espaço está armado com uma infra-estrutura que engloba uma praça de alimentação (com opções que vão da buchada ao sanduíche light), parque de diversão com touro mecânico e tiro ao alvo, e ainda uma enorme feira de utilidades.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira