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PROPOSTA
Carlos Alberto defende ligas

Presidente da FPF envia hoje uma proposta de criação de ligas estaduais para o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff

por JOÃO MARCELO MELO

Único opositor da CBF entre os 27 presidentes de federações estaduais, Carlos Alberto Oliveira, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, está enviando hoje a Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, o esboço de uma proposta para mudar a estrutura política do futebol brasileiro.

Em consonância com a idéia de criar ligas regionais e uma Liga Nacional no próximo ano, Carlos Alberto defende a implantação de ligas estaduais, passando as atuais federações a responder exclusivamente pelo futebol amador.

“Apresentei a Koff a minha idéia, ele entusiasmou-se e pediu detalhes. O objetivo é separar o futebol profissional do amador, algo que os clubes sempre quiseram”, explica Carlos Alberto. Atualmente, nas eleições para presidentes das federações, o voto das agremiações amadoras acaba tendo peso maior que o dos clubes profissionais. Em decorrência disso, para manterem-se no poder, muitos cartolas usam as ligas amadoras como currais eleitorais.

A criação da Liga Nacional, prevista para o próximo ano, é defendida com unhas e dentes pelo Ministério dos Esportes, Clube dos 13 e Rede Globo. A grande barreira para criar a entidade são as federações e, depois do rompimento da CBF com a Globo, Ricardo Teixeira.

“Com a criação da Liga, a CBF seria a embaixadora do futebol brasileiro, iria tratar exclusivamente da seleção – o que, no fundo, é só isso que ela faz atualmente”, diz Carlos Alberto. Segundo ele, as ligas estaduais precisam ser instituídas para compor o sistema federativo do futebol profissional no País.

“Os clubes elegeriam a Liga Estadual, as ligas estaduais e os clubes elegeriam a Liga Regional; e as ligas regionais e os clubes elegeriam a Liga Nacional”, explica o dirigente – curiosamente, um dos primeiros a se manifestar contrário à proposta das ligas, no início do ano.

Carlos Alberto mostra-se disposto a levar adiante a idéia de uma federação pernambucana de futebol amador, mas prevê dificuldades para algumas entidades semelhantes. “Pernambuco não teria problemas. Os Estados mais carentes é que precisariam buscar recursos junto ao Governo Federal e à própria CBF, que tem a obrigação de incentivar a prática amadora.”

Os presidentes de clubes pernambucanos mostraram-se receptivos à idéia de Carlos Alberto. “O futebol brasileiro precisa mudar seu eixo organizacional. O que não podemos é perder o sentido de federação”, alerta Fernando Pessoa, presidente do Sport. Ele, no entanto, vê a criação das ligas como um caminho natural. “O Atlético Mineiro já está puxando a formação da Liga Sul-Minas. É preciso saber se as ligas estaduais terão capacidade para captar recursos e patrocinar competições rentáveis.”

Embora prefira não entrar em detalhes, o presidente do Santa Cruz, José Mendonça, também vê com bons olhos a proposta de Carlos Alberto. “A idéia é boa, factível de se concretizar.” Aliado de Ricardo Teixeira mesmo nos momentos de intenso bombardeio ao dirigente da CBF, Mendonção, porém, mostra-se reticente quando o assunto é reduzir o poder da entidade maior. “Aí eu não sei”, esquiva-se.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.09.2001
Sexta-feira